Manejo da Ruptura de Cápsula Posterior na Facoemulsificação

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Durante uma cirurgia de facoemulsificação com implante de lente intraocular, o médico nota os seguintes sinais: dificuldade súbita de emulsificar e aspirar material nuclear, associada ao aprofundamento da câmara anterior e mobilidade excessiva, ou subluxação, do núcleo. Qual a conduta mais apropriada nesse momento?

Alternativas

  1. A) Retirar prontamente a caneta de facoemulsificação do olho para evitar maiores complicações
  2. B) Interromper o estágio de irrigação-aspiração e manter a caneta de facoemulsificação na câmara anterior, que deve ser preenchida com substância viscoelástica
  3. C) Emulsificar e aspirar o material cristaliniano restante o mais rapidamente possível, para que nenhum fragmento migre para a cavidade vítrea
  4. D) Aspirar a seco os restos corticais com dupla via e retirar os fragmentos nucleares das câmaras anterior e vítrea com alça de Snellen

Pérola Clínica

Rotura capsular → Manter caneta no olho + Preencher com viscoelástico antes de retirar.

Resumo-Chave

Ao suspeitar de rotura de cápsula posterior, a manutenção da pressão intraocular com viscoelástico impede o colapso da câmara anterior e a migração de fragmentos para o vítreo.

Contexto Educacional

A facoemulsificação é a técnica padrão-ouro para cirurgia de catarata, mas exige manejo preciso de complicações intraoperatórias. A ruptura da cápsula posterior é um evento crítico que pode levar à perda de fragmentos para o segmento posterior e edema macular cistoide. O reconhecimento precoce através de sinais como aprofundamento da câmara anterior é vital. O manejo imediato foca na manutenção da estabilidade hidrodinâmica. O cirurgião deve evitar a flutuação da pressão intraocular, utilizando substâncias viscoelásticas para manter o espaço e proteger o endotélio corneano enquanto decide a melhor estratégia de resgate dos fragmentos e implante da lente intraocular (LIO) em sulco ou fixação escleral.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de ruptura de cápsula posterior?

Os sinais clássicos incluem o aprofundamento súbito da câmara anterior, a dificuldade de aspiração do material nuclear, a inclinação ou subluxação do núcleo e a perda de reflexo vermelho em casos graves de hemorragia ou luxação total.

Por que não retirar a caneta de faco imediatamente?

A retirada súbita da caneta causa uma queda brusca da pressão intraocular (hipotonia), o que favorece o colapso da câmara anterior e a tração vítrea, aumentando significativamente o risco de hemorragia expulsiva e migração de fragmentos para o polo posterior.

Qual o papel do viscoelástico nesta complicação?

O viscoelástico dispersivo ou coesivo deve ser injetado para estabilizar a câmara anterior e tamponar a rotura capsular, permitindo uma transição segura para a vitrectomia anterior ou conversão da técnica cirúrgica sem perda de estruturas.

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