Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Uma secundigesta, com um parto normal anterior e idade gestacional de 36 semanas e dois dias, deu entrada no pronto-atendimento obstétrico com queixa de sangramento vaginal em grande quantidade há quarenta minutos. Refere que a hemorragia ocorreu “do nada”, tendo início após um “acesso de tosse”. Nega dor abdominal. Realizou seis consultas de pré-natal, com todos os exames dentro do limite da normalidade. Nega antecedentes pessoais de comorbidades. Ao exame de entrada, descorada +/4+, PA de 90 x 50 mmHg, FC de 101 bpm, altura uterina de 33 cm, ausência de dinâmica uterina, tônus uterino normal e BCF de 101 bpm. Especular mostrando grande quantidade de coágulos na vagina e sangramento ativo por orifício externo do colo. Foi encaminhada para cesariana de emergência. A foto abaixo corresponde à placenta, após dequitada. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico do sangramento da segunda metade da gestação.
Sangramento indolor, súbito, após esforço, com bradicardia fetal e ausência de dor/hipertonia uterina → Vasa prévia.
A rotura de vasa prévia é uma emergência obstétrica caracterizada por sangramento vaginal indolor, súbito, frequentemente após rotura de membranas ou esforço (tosse), com deterioração rápida do estado fetal (bradicardia) e ausência de dor ou hipertonia uterina. O sangue é de origem fetal.
Os sangramentos da segunda metade da gestação representam emergências obstétricas que exigem diagnóstico e manejo rápidos. A rotura de vasa prévia, embora menos comum que a placenta prévia ou o descolamento prematuro de placenta (DPPNI), é particularmente grave devido à sua alta mortalidade fetal se não for prontamente identificada e tratada. Ela ocorre quando vasos fetais desprotegidos (não inseridos na placenta ou cordão umbilical) cruzam o orifício interno do colo uterino e se rompem. O quadro clínico típico da rotura de vasa prévia envolve sangramento vaginal indolor, de início súbito, que pode ser desencadeado por rotura de membranas (espontânea ou artificial) ou por um aumento da pressão intra-abdominal, como um acesso de tosse. Crucialmente, há sinais de sofrimento fetal agudo, como bradicardia ou desacelerações variáveis, pois o sangue perdido é de origem fetal. Diferentemente do DPPNI, não há dor abdominal ou hipertonia uterina, e diferentemente da placenta prévia, o sangramento é de origem fetal e o feto está em risco iminente. O diagnóstico definitivo muitas vezes é feito no intraparto, mas a suspeita clínica baseada nos achados (sangramento indolor + sofrimento fetal agudo + tônus uterino normal) deve levar à cesariana de emergência imediata. A identificação pré-natal por ultrassonografia com Doppler colorido é ideal para planejar o parto e evitar a emergência, especialmente em gestações com inserção velamentosa do cordão ou placenta bilobada.
Os sinais clássicos incluem sangramento vaginal indolor, súbito, geralmente após rotura de membranas ou esforço, acompanhado de bradicardia fetal ou outros sinais de sofrimento fetal, com tônus uterino normal.
A vasa prévia cursa com sangramento indolor e tônus uterino normal, como a placenta prévia, mas com sofrimento fetal agudo. O descolamento prematuro de placenta cursa com dor abdominal e hipertonia uterina.
A conduta é a cesariana de emergência imediata, pois o sangramento é de origem fetal e a perda sanguínea pode levar rapidamente à anemia fetal grave e óbito.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo