HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Tercigesta, 38 anos, dois partos cesarianos anteriores, o último parto há 6 anos. É admitida com 38 semanas de gestação em trabalho de parto com 4 contrações fortes em 10 minutos, dilatação de 6 cm, bolsa rota e polo cefálico no plano 0 (zero) de De Lee, BCF 120 bpm, altura uterina 37 cm. Após 1 hora, evoluiu para 8 cm, polo cefálico em plano 0 de De Lee, BCF 100 bpm. Nesse momento, a paciente referiu dor muito forte em baixo ventre e o médico assistente observou a formação de um anel próximo à cicatriz umbilical, como na figura abaixo: A melhor conduta nesse momento é:
Dor abdominal forte + BCF ↓ + Anel de Bandl em multípara com cesáreas prévias = Rotura uterina iminente → Cesariana imediata.
O quadro clínico apresentado, com histórico de duas cesarianas anteriores, dor abdominal intensa, bradicardia fetal e a formação do anel de Bandl, é altamente sugestivo de rotura uterina iminente. Esta é uma emergência obstétrica que exige interrupção imediata da gestação por cesariana para preservar a vida da mãe e do feto.
A rotura uterina é uma das mais graves emergências obstétricas, com alta morbimortalidade materna e perinatal. Sua incidência é maior em mulheres com cicatriz uterina prévia, especialmente após cesarianas, que tentam o parto vaginal. O reconhecimento precoce dos sinais de rotura uterina iminente é crucial para a tomada de decisão rápida e eficaz, que pode salvar vidas. A história clínica detalhada e a vigilância constante durante o trabalho de parto são indispensáveis. O quadro clínico típico de rotura uterina iminente inclui dor abdominal súbita e excruciante, que pode ser acompanhada de cessação das contrações ou, paradoxalmente, contrações muito fortes e ineficazes. Sinais de sofrimento fetal, como bradicardia ou desacelerações tardias, são comuns. A palpação do abdome pode revelar a formação do anel de Bandl, uma retração patológica do útero acima da sínfise púbica, indicando que o segmento inferior está excessivamente distendido e afinado. Diante de um quadro sugestivo de rotura uterina iminente, a conduta é a cesariana de emergência. Não há espaço para tentativas de manejo conservador ou aceleração do trabalho de parto, pois isso agravaria a situação. A rapidez na decisão e na execução da cirurgia é determinante para o prognóstico materno e fetal. Este é um tema de grande relevância em provas de residência, exigindo do candidato um conhecimento aprofundado da fisiopatologia e da conduta em emergências obstétricas.
Os sinais de rotura uterina iminente incluem dor abdominal súbita e intensa, especialmente em pacientes com cicatriz uterina prévia, alteração do padrão de contrações, sangramento vaginal, e sinais de sofrimento fetal, como bradicardia. A formação do anel de Bandl (retração uterina patológica) é um sinal clássico.
O anel de Bandl é uma retração patológica do útero que se forma entre o segmento superior e inferior, visível como um sulco ou anel próximo à cicatriz umbilical. Sua presença indica uma obstrução ao trabalho de parto e uma iminente rotura uterina, sendo um sinal de alerta crítico para intervenção imediata.
Diante da suspeita de rotura uterina iminente, a conduta imediata é a interrupção do trabalho de parto por cesariana de emergência. A estabilização da paciente e a preparação para a cirurgia devem ser realizadas simultaneamente para minimizar riscos maternos e fetais.
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