Rotura Uterina: Diagnóstico e Sinais de Alerta

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 30 anos, G4P3C0A0, último parto há 3 anos. Procura o pronto-atendimento obstétrico com queixa de contrações. Exame físico: PA = 110x70mmHg; altura uterina = 39cm; batimentos cardio fetais = 150bpm; dinâmica uterina = 4 contrações de 45 segundos fortes em 10 minutos; toque vaginal: colo pérvio para 6cm, médio, cefálico alto e móvel com bolsa integra. Encaminhada ao pré-parto para acompanhamento do trabalho de parto. Após 2 horas e 30 minutos, é conduzida à sala de parto com dilatação total. Colocada em posição para parto e realizada rotura de membranas, com orientação de esforços para expulsivo e condução com ocitocina. Evolui com sangramento vaginal abundante, batimentos fetais inaudíveis e dinâmica uterina ausente, toque com dilatação total e apresentação inalcançável. O diagnóstico é

Alternativas

  1. A) placenta prévia.
  2. B) descolamento prematuro de placenta.
  3. C) rotura de vaza prévia.
  4. D) rotura uterina.
  5. E) rotura de seio marginal.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal abundante + perda de BCF + dinâmica uterina ausente + apresentação inalcançável em trabalho de parto → Rotura Uterina.

Resumo-Chave

A rotura uterina é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela tríade clássica: dor abdominal súbita e intensa (nem sempre presente), sangramento vaginal e alterações da vitalidade fetal (bradicardia ou óbito). A ausência de dinâmica uterina após contrações fortes e a apresentação fetal inalcançável ao toque vaginal são sinais altamente sugestivos, especialmente em multíparas com uso de ocitocina.

Contexto Educacional

A rotura uterina é uma das emergências obstétricas mais catastróficas, com alta morbimortalidade materna e fetal. Embora rara, sua incidência é maior em úteros com cicatrizes prévias (cesariana, miomectomia) e em multíparas, especialmente quando há uso de ocitocina para condução do trabalho de parto. O diagnóstico precoce é crucial para a sobrevida materno-fetal. A apresentação clínica clássica inclui dor abdominal súbita e intensa (embora possa ser mascarada pela analgesia), sangramento vaginal abundante, perda súbita da dinâmica uterina (as contrações cessam), e alterações na frequência cardíaca fetal, que podem evoluir rapidamente para bradicardia grave ou óbito fetal. Ao toque vaginal, a apresentação fetal pode se tornar inalcançável, e em casos mais avançados, partes fetais podem ser palpadas fora do útero. O diagnóstico diferencial com outras causas de sangramento no terceiro trimestre ou no trabalho de parto, como descolamento prematuro de placenta ou placenta prévia, é fundamental. No entanto, a tríade de perda da dinâmica uterina, sangramento e comprometimento fetal súbito é altamente sugestiva de rotura uterina. O manejo é cirúrgico e emergencial, com laparotomia para parto imediato e reparo uterino ou histerectomia, dependendo da extensão da lesão e do estado da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma rotura uterina?

Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal abundante, perda da dinâmica uterina, alterações na frequência cardíaca fetal (bradicardia ou óbito) e, ao toque, apresentação fetal inalcançável ou palpação de partes fetais fora do útero.

Quais fatores aumentam o risco de rotura uterina?

Fatores de risco incluem cicatriz uterina prévia (cesariana, miomectomia), multiparidade, uso excessivo de ocitocina, trauma uterino e anomalias uterinas.

Qual a conduta imediata em caso de suspeita de rotura uterina?

A conduta é uma laparotomia exploradora de emergência para avaliar a extensão da lesão, realizar o parto e reparar o útero ou, em casos graves, realizar histerectomia, além de suporte hemodinâmico intensivo.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo