HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024
R.G.B., 32 anos, GIII PII 2C A0, IG 30 semanas, sem comorbidades, deu entrada no pronto-socorro com queixa de dor em hipogástrio de início súbito há cerca de 30 minutos. Nega sangramento vaginal. Ao exame físico: hipocorada 2+/4, PA 90 x 60 mmHg, FC 100 bpm. Abdome: dor à descompressão brusca positiva, dinâmica uterina ausente, BCF: 110 bpm. Ao toque vaginal: colo impérvio, grosso e posterior. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.
Dor abdominal súbita + hipotensão/taquicardia + BCF ↓ + abdome doloroso/DB+ em multípara com cesariana prévia → Rotura uterina.
A rotura uterina é uma emergência obstétrica grave, especialmente em multíparas com cicatriz uterina prévia (cesariana). Caracteriza-se por dor abdominal súbita e intensa, sinais de choque hipovolêmico materno e sofrimento fetal (bradicardia ou ausência de BCF), mesmo sem sangramento vaginal externo.
A rotura uterina é uma das emergências obstétricas mais graves, associada a alta morbimortalidade materna e fetal. Sua incidência é maior em mulheres com cicatriz uterina prévia, especialmente de cesariana, e aumenta com o número de cesarianas anteriores. É crucial para o residente reconhecer rapidamente os sinais e sintomas para uma intervenção imediata. O quadro clínico clássico inclui dor abdominal súbita e intensa, frequentemente descrita como 'rasgando', acompanhada de sinais de choque hipovolêmico materno (hipotensão, taquicardia, palidez) e sofrimento fetal agudo (bradicardia, desacelerações tardias ou perda da variabilidade, e, em casos graves, ausência de batimentos cardíacos fetais). A dinâmica uterina pode cessar e a apresentação fetal pode se tornar mais palpável no abdome. O sangramento vaginal pode estar presente ou ausente, o que pode dificultar o diagnóstico diferencial com outras causas de dor abdominal na gravidez. O diagnóstico é eminentemente clínico e a suspeita deve levar à conduta imediata: estabilização hemodinâmica da mãe e laparotomia exploradora de emergência para salvamento materno e fetal. O atraso no diagnóstico e tratamento pode resultar em hemorragia maciça, histerectomia e óbito materno ou fetal.
Os principais fatores de risco incluem cicatriz uterina prévia (especialmente de cesariana), multiparidade, uso de ocitocina ou prostaglandinas para indução/condução do parto, e trauma abdominal.
Embora ambos causem dor abdominal e sofrimento fetal, a rotura uterina frequentemente apresenta dor súbita e intensa, sinais de choque materno mais proeminentes e, por vezes, ausência de sangramento vaginal. No DPP, o sangramento é mais comum e o útero pode estar hipertenso e doloroso à palpação.
A conduta imediata é estabilização da paciente (acesso venoso, fluidos, oxigênio), monitoramento fetal contínuo e laparotomia exploradora de emergência para reparo uterino ou histerectomia, e extração fetal.
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