Rotura Uterina: Diagnóstico e Fatores de Risco

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

B.N.V., 32 anos, GIII PII 2C A0, idade gestacional de 30 semanas, deu entrada no ProntoSocorro Ginecológico e Obstétrico (PSGO) referindo dor de início subido em região de hipogástrio, além de mínimo sangramento vaginal. No exame físico: PA: 90x60 mmHg, FC: 100 bpm, paciente hipocorada +/4+, BCF: 110 bpm. Abdome: dor à descompressão brusca positiva, tônus uterino normal. Considerando o exposto, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico provável:

Alternativas

  1. A) Descolamento prematuro de placenta.
  2. B) Rotura de seio venoso.
  3. C) Rotura uterina.
  4. D) Placenta prévia.
  5. E) Cisto de corpo lúteo hemorrágico.

Pérola Clínica

Dor súbita + Choque + Cicatriz uterina + Tônus normal = Rotura Uterina (Diferente do DPP, que tem hipertonia).

Resumo-Chave

A rotura uterina é uma catástrofe obstétrica associada a alta mortalidade materna e fetal. O principal fator de risco é a cicatriz uterina prévia, e o quadro clínico clássico envolve dor súbita, instabilidade hemodinâmica e sinais de peritonite.

Contexto Educacional

A rotura uterina ocorre mais frequentemente durante o trabalho de parto em pacientes com cicatrizes uterinas (cesáreas prévias, miomectomias). No caso clínico apresentado, a paciente possui duas cesáreas anteriores, o que eleva significativamente o risco. A dor súbita em hipogástrio associada a sinais de irritação peritoneal (descompressão brusca positiva) e choque (PA 90x60, taquicardia) aponta para hemoperitônio. O fato de o tônus uterino estar normal é o divisor de águas para descartar DPP. O sofrimento fetal (BCF 110 bpm) é uma consequência direta da interrupção da perfusão placentária e do desprendimento do útero. O reconhecimento rápido é vital, pois o tempo entre o diagnóstico e a cirurgia é o principal determinante do desfecho neonatal e materno.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de rotura uterina iminente?

Os sinais clássicos de rotura iminente incluem o Sinal de Bandl (formação de um anel de depressão entre o corpo e o segmento inferior do útero, assemelhando-se a uma ampulheta) e o Sinal de Frommel (estiramento excessivo dos ligamentos redondos, que se tornam tensos e palpáveis). Quando a rotura se consome, a dor torna-se lancinante seguida de uma 'calmaria' temporária, acompanhada de choque e subida da apresentação fetal.

Como diferenciar rotura uterina de descolamento prematuro de placenta (DPP)?

No DPP, a dor abdominal é acompanhada de hipertonia uterina (útero lenhoso) e sangramento vaginal escuro (em 80% dos casos). Na rotura uterina, o tônus uterino é normal ou o útero torna-se impalpável se o feto for expelido para a cavidade abdominal; além disso, há sinais claros de irritação peritoneal (dor à descompressão brusca) e a instabilidade hemodinâmica costuma ser mais desproporcional ao sangramento vaginal visível.

Qual a conduta imediata diante da suspeita de rotura uterina?

A conduta é a laparotomia exploradora imediata para extração fetal e controle da hemorragia materna. Dependendo da extensão da lesão e do desejo reprodutivo da paciente, pode-se tentar a sutura da rotura (histerorrafia) ou, em casos de hemorragia incontrolável ou lacerações extensas, realizar a histerectomia de urgência. O suporte hemodinâmico com cristaloides e hemoderivados deve ser iniciado simultaneamente.

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