Rotura Uterina: Sinais, Diagnóstico e Manejo de Emergência

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente secundigesta, com antecedente de parto por cesariana, com 40 semanas de gestação, encontrava-se em período expulsivo há uma hora. O trabalho de parto foi taquitócico, tendo evoluído em menos de 4 horas. Ao toque, revelou-se o seguinte: dilatação total; bolsa rota; OP em plano +2 de De Lee. Decidiu-se pela aplicação de vácuo-extrator para alívio materno-fetal, mas à locação observou-se subida da apresentação e sangramento uterino moderado. Também cessaram as contrações uterinas.Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o provável diagnóstico e a conduta a ser adotada nesse caso hipotético. 

Alternativas

  1. A) descolamento de placenta — aplicação do fórcipe de Simpson-Braun 
  2. B) rotura uterina — parto por cesariana 
  3. C) descolamento de placenta — manobra de Kristeller
  4. D) desproporção cefalopélvica — associação de vácuo-extração à manobra de Kristeller 
  5. E) rotura uterina — aplicação do fórcipe de Kielland

Pérola Clínica

Cesariana prévia + TP taquitócico + subida apresentação + sangramento + cessação contrações → Rotura uterina.

Resumo-Chave

A rotura uterina é uma emergência obstétrica grave, especialmente em pacientes com cesariana prévia. Sinais clássicos incluem dor súbita e intensa, subida da apresentação fetal, sangramento vaginal e cessação das contrações uterinas, exigindo cesariana de emergência.

Contexto Educacional

A rotura uterina é uma das mais graves emergências obstétricas, caracterizada pela separação completa ou incompleta da parede uterina. É uma condição rara, mas com alta morbimortalidade materna e fetal. O principal fator de risco é a presença de uma cicatriz uterina prévia, como a de uma cesariana anterior, especialmente quando o trabalho de parto é induzido ou taquitócico, como no caso descrito. Os sinais clássicos de rotura uterina incluem dor abdominal súbita e intensa (embora possa ser mascarada pela analgesia), sangramento vaginal, subida da apresentação fetal (o feto se retrai para a cavidade abdominal), cessação das contrações uterinas e, frequentemente, deterioração do estado fetal (bradicardia ou perda da variabilidade). A palpação abdominal pode revelar partes fetais mais facilmente. Diante da suspeita de rotura uterina, a conduta é uma laparotomia de emergência para realizar o parto por cesariana e avaliar a extensão da lesão uterina. A reparação da rotura ou, em casos graves, a histerectomia, pode ser necessária. A estabilização hemodinâmica da mãe é prioritária, com reposição volêmica e transfusão sanguínea se indicada.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para rotura uterina?

Os principais fatores de risco incluem cesariana prévia (especialmente com incisão corporal clássica), cirurgias uterinas anteriores (miomectomia), grande multiparidade, uso excessivo de ocitocina e trauma abdominal.

Quais são os sinais clínicos que sugerem rotura uterina?

Sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal, subida da apresentação fetal ao toque, cessação das contrações uterinas e, em casos graves, sinais de choque hipovolêmico materno.

Qual a conduta imediata diante da suspeita de rotura uterina?

A conduta imediata é a realização de uma cesariana de emergência para salvar a vida da mãe e do feto, além de estabilização hemodinâmica materna.

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