Rotura Uterina: Diagnóstico e Manejo de Emergência

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022

Enunciado

R.N.B., 36 anos, GII PI 1C (há 5 anos) A0, IG usg: 40 semanas, com hipotireoidismo, IMC: 46 kg/m2 e DMG (diabetes mellitus gestacional). Avaliação da vitalidade fetal: cardiotocografia: normal. Internada para indução do parto com balão de Krause. Balão é eliminado 2 horas após inserção. TV: 5 cm, M, posterior, apresentação cefálica, -2 De Lee. Tônus uterino de difícil avaliação por tecido adiposo espesso. Introduzida ocitocina em BIC para continuação da indução do trabalho de parto até 72 mL/h. Plantonista é solicitada no pré-parto, pois paciente refere bastante dor. Reavaliação: TV – não se identifica apresentação fetal. Evidenciado sangramento vaginal. Não identificados BCF ao sonar. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a conduta imediata e a provável hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Solicitar ultrassonografia obstétrica para avaliar foco cardíaco fetal e placenta; placenta prévia.
  2. B) Cesariana de emergência; rotura de vasa prévia.
  3. C) Cesariana de emergência; rotura uterina.
  4. D) Aminiotomia artificial; descolamento prematuro de placenta.
  5. E) Cesariana de urgência; laceração do colo uterino pelo balão de Krause.

Pérola Clínica

Dor súbita + sangramento vaginal + perda de BCF + não palpação de apresentação fetal em TP induzido com cicatriz uterina → Rotura uterina = Cesariana de emergência.

Resumo-Chave

A rotura uterina é uma emergência obstétrica grave, especialmente em pacientes com cicatriz uterina prévia (cesariana, miomectomia) submetidas à indução do parto. A tríade clássica de dor súbita e intensa, sangramento vaginal e perda dos batimentos cardíacos fetais exige cesariana de emergência. A não identificação da apresentação fetal ao toque sugere que o feto pode ter extravasado para a cavidade abdominal.

Contexto Educacional

A rotura uterina é uma das mais temidas emergências obstétricas, caracterizada pela separação completa ou incompleta da parede uterina. Sua incidência é maior em mulheres com cicatrizes uterinas prévias, como cesarianas ou miomectomias, e o risco aumenta significativamente durante a indução ou condução do trabalho de parto com ocitocina, como no caso descrito. O quadro clínico clássico envolve dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal, e sinais de sofrimento fetal agudo ou óbito fetal (perda dos BCF). A palpação abdominal pode revelar a perda da apresentação fetal ou a presença de partes fetais fora do útero. A não identificação da apresentação fetal ao toque vaginal, juntamente com o sangramento e a ausência de BCF, é altamente sugestiva de rotura uterina, onde o feto pode ter sido expelido para a cavidade peritoneal. A conduta é uma cesariana de emergência imediata. O tempo é crítico para tentar salvar o feto e controlar a hemorragia materna, que pode ser maciça e levar a choque hipovolêmico, histerectomia e até óbito. Residentes devem ter um alto índice de suspeita e agir rapidamente diante desses sinais, pois o atraso no diagnóstico e tratamento piora drasticamente o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de rotura uterina durante o trabalho de parto?

Os principais sinais de rotura uterina incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal, perda dos batimentos cardíacos fetais, parada da progressão do trabalho de parto e, em alguns casos, a palpação de partes fetais fora do útero ou a não identificação da apresentação fetal ao toque vaginal.

Quais fatores de risco aumentam a chance de rotura uterina?

Fatores de risco importantes para rotura uterina incluem cicatriz uterina prévia (cesariana, miomectomia), grande multiparidade, indução ou condução do trabalho de parto com ocitocina ou prostaglandinas, trauma abdominal e anomalias uterinas.

Qual a conduta imediata diante da suspeita de rotura uterina?

A conduta imediata diante da suspeita de rotura uterina é a cesariana de emergência. Não há tempo para exames complementares demorados, pois a vida da mãe e do feto está em risco iminente devido à hemorragia e sofrimento fetal.

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