HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2015
Uma paciente gestante a termo, multípara, sem pré-natal procurou o pronto-socorro em trabalho de parto franco. G6PN3PC2. Ao exame na admissão, apresentou BCF positivo, dinâmica uterina de quatro contrações em dez minutos, colo pérvio para 8 cm e apresentação cefálica no plano +1 de De Lee. Logo após a admissão, iniciou quadro de dor súbita e intensa e, ao toque, subita da apresentação, não se auscultando os batimentos cardíacos fetais. Considerando esse caso hipotético, assinale a alternativa que apresente o provável diagnóstico para o quadro clínico.
Dor súbita + subida da apresentação + perda de BCF = Rotura Uterina.
A rotura uterina é uma emergência obstétrica grave, frequentemente associada a cicatrizes uterinas prévias, manifestando-se por dor abdominal intensa, interrupção das contrações e recessão da apresentação fetal.
A rotura uterina representa uma das complicações mais catastróficas do ciclo gravídico-puerperal, com altas taxas de morbimortalidade materna e perinatal. A fisiopatologia envolve a solução de continuidade da parede uterina, que pode ser completa (atingindo o peritônio visceral) ou incompleta (deiscência). O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de dor abdominal intensa, alteração da forma uterina e sofrimento fetal agudo. Na prática médica, a suspeita clínica deve levar à laparotomia imediata. O manejo depende da extensão da lesão e do desejo reprodutivo da paciente, variando desde a sutura da lesão (histerorrafia) até a histerectomia de urgência. O reconhecimento precoce dos sinais de iminência, como os anéis de Bandl, é crucial para prevenir a expulsão do feto para a cavidade peritoneal e o choque hipovolêmico materno.
O principal fator de risco é a presença de cicatriz uterina prévia, mais comumente decorrente de cesarianas anteriores, mas também de miomectomias ou outras cirurgias uterinas. Outros fatores incluem a multiparidade, o uso excessivo de ocitocina, o trabalho de parto prolongado ou obstruído (desproporção cefalopélvica), traumas abdominais e manobras de Kristeller. Em pacientes com útero íntegro, a rotura é rara, mas pode ocorrer em situações de hiperestimulação uterina ou grandes distensões.
No Descolamento Prematuro de Placenta (DPP), o quadro clínico é marcado por dor abdominal súbita e hipertonia uterina (útero lenhoso), com sangramento vaginal escuro em 80% dos casos. Já na rotura uterina consumada, a dor é lancinante seguida de uma 'calmaria' temporária nas contrações, acompanhada de subida da apresentação fetal ao toque vaginal (sinal de Reasens) e palpação de partes fetais no abdome materno. O BCF costuma desaparecer rapidamente em ambos, mas a dinâmica uterina é o diferencial chave.
Estes são sinais de iminência de rotura uterina. O sinal de Bandl (anel de Bandl) refere-se à visualização de um sulco suprapúbico que separa o corpo do segmento inferior do útero, indicando distensão excessiva do segmento inferior. O sinal de Frommel refere-se ao estiramento dos ligamentos redondos, que se tornam tensos e palpáveis lateralmente ao útero. A presença desses sinais indica que a rotura é iminente e exige intervenção imediata (cesárea de emergência) para evitar a rotura completa.
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