HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Uma paciente encontra-se em franco trabalho de parto há duas horas; é tercigesta e possui dois partos vaginais anteriores. Apresenta gestação atual a termo e antecedente de miomectomia. Ao exame físico, observam-se colo posterior, grosso e com 3 cm de dilatação ao toque vaginal, batimentos cardíacos fetais de 148 bpm e deformação do abdome gravídico à palpação, lembrando aspecto de “ampulheta”. Com base no caso clínico e nos conceitos médicos a ele associados, julgue o item.Não há risco de rotura uterina, uma vez que a paciente não possui partos cirúrgicos anteriores.
Miomectomia prévia, mesmo sem parto cirúrgico, é fator de risco para rotura uterina no trabalho de parto.
A miomectomia, especialmente se envolver a abertura da cavidade uterina, cria uma cicatriz no útero que pode se romper durante o trabalho de parto, independentemente da via de partos anteriores. O 'abdome em ampulheta' é um sinal de contração uterina excessiva e distocia, que pode preceder a rotura.
A rotura uterina é uma complicação obstétrica grave, associada a alta morbimortalidade materna e fetal. O reconhecimento de seus fatores de risco e sinais é crucial para a prática clínica em obstetrícia. Um dos fatores de risco mais importantes é a presença de uma cicatriz uterina prévia, que pode ser decorrente de cesariana, mas também de outras cirurgias uterinas, como a miomectomia. No caso da miomectomia, o risco de rotura uterina depende da profundidade e extensão da incisão uterina. Miomectomias que penetram na cavidade endometrial ou que são extensas no miométrio aumentam significativamente esse risco. Portanto, pacientes com histórico de miomectomia devem ser cuidadosamente avaliadas e, em muitos casos, o parto vaginal pode ser contraindicado ou exigir monitoramento intensivo, com indicação de cesariana eletiva para evitar o trabalho de parto. O 'abdome em ampulheta' é um sinal de distocia de contração, onde o útero se contrai de forma desordenada, com um anel de contração excessiva, podendo indicar uma iminência de rotura. Residentes em obstetrícia devem estar vigilantes a esses sinais e à história clínica da paciente para identificar precocemente o risco e intervir adequadamente, garantindo a segurança materno-fetal.
Os principais fatores de risco para rotura uterina incluem cicatriz uterina prévia (cesariana, miomectomia com abertura da cavidade, histerotomia), grande multiparidade, uso excessivo de ocitocina ou prostaglandinas, macrossomia fetal, apresentação anômala e trauma abdominal.
A miomectomia, especialmente se o mioma for intramural e a cirurgia envolver a abertura da cavidade uterina, deixa uma cicatriz no miométrio. Essa cicatriz pode não ter a mesma resistência do tecido uterino normal e pode se romper sob as contrações intensas do trabalho de parto, aumentando o risco de rotura uterina.
Sinais de iminência incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal, taquicardia fetal, sofrimento fetal e, em casos graves, o sinal de Bandl (anel de contração uterina acima do umbigo) e abdome em ampulheta. A rotura consumada pode levar a choque hipovolêmico materno, ausência de batimentos cardíacos fetais e palpação de partes fetais fora do útero.
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