CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Gestante 40 semanas, em fase ativa de trabalho de parto, apresentou dor abdominal súbita, lancinante com interrupção das contrações. Ao exame: PA: 70 x 40mmHg, FC:130 bpm, FR: 33 irpm, atividade uterina ausente, sem sangramento vaginal. Qual diagnóstico?
Rotura uterina = dor súbita lancinante + interrupção contrações + choque + ausência atividade uterina.
A rotura uterina é uma emergência obstétrica grave, caracterizada por dor abdominal súbita e lancinante, interrupção das contrações uterinas e sinais de choque hipovolêmico materno (hipotensão, taquicardia). A ausência de sangramento vaginal evidente não exclui o diagnóstico, pois o sangramento pode ser interno.
A rotura uterina é uma das mais graves emergências obstétricas, representando um evento catastrófico tanto para a mãe quanto para o feto. Caracteriza-se pela separação completa ou incompleta da parede uterina, geralmente durante o trabalho de parto, mas pode ocorrer antes. Fatores de risco incluem cicatriz uterina prévia (especialmente de cesariana), multiparidade, uso excessivo de ocitocina, manobras obstétricas traumáticas e anomalias uterinas. A incidência é baixa, mas a morbimortalidade associada é alta. O quadro clínico clássico de rotura uterina inclui dor abdominal súbita, intensa e lancinante, frequentemente descrita como uma "facada", seguida pela interrupção abrupta das contrações uterinas. A gestante pode apresentar sinais de choque hipovolêmico, como hipotensão, taquicardia, taquipneia e palidez, devido ao sangramento interno. A ausência de sangramento vaginal não exclui o diagnóstico, pois o sangue pode se acumular na cavidade peritoneal. A palpação abdominal pode revelar partes fetais mais facilmente e a ausência de atividade uterina. O diagnóstico é eminentemente clínico e exige ação imediata. A conduta é a estabilização hemodinâmica da paciente e a realização de laparotomia exploradora de emergência para controle do sangramento, extração fetal e reparo uterino ou histerectomia, dependendo da extensão da lesão e do desejo de futura gestação. O prognóstico materno e fetal depende criticamente da rapidez do diagnóstico e da intervenção. A prevenção envolve a identificação de fatores de risco e o monitoramento cuidadoso do trabalho de parto, especialmente em gestantes com cicatriz uterina.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e lancinante, interrupção das contrações uterinas, sinais de choque hipovolêmico materno (hipotensão, taquicardia) e, por vezes, palpação de partes fetais fora do útero.
Não, a ausência de sangramento vaginal não exclui a rotura uterina, pois o sangramento pode ser predominantemente intra-abdominal. A tríade de dor súbita, interrupção das contrações e choque é mais indicativa.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica da gestante (acesso venoso, fluidos, oxigênio) e a realização de laparotomia exploradora de emergência para controle do sangramento e resolução do parto, geralmente por cesariana.
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