UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Paciente 28 anos, G2P1, com 39 semanas e 2 dias de gestação apresentou nos esforços expulsivos durante o segundo estágio do trabalho de parto, uma bradicardia fetal associada a sangramento vaginal. A cabeça fetal que estava previamente no plano +2, está agora no plano -3. Histórico de miomectomia por infertilidade. O diagnóstico mais provável é:
Bradicardia fetal + sangramento vaginal + retração da apresentação fetal + miomectomia prévia = Rotura uterina até prova em contrário.
A tríade de bradicardia fetal, sangramento vaginal e retração da apresentação fetal (cabeça que estava em +2 agora em -3) em uma paciente com histórico de miomectomia prévia (fator de risco para fraqueza da parede uterina) é altamente sugestiva de rotura uterina, uma emergência obstétrica grave.
A rotura uterina é uma das mais graves emergências obstétricas, associada a alta morbimortalidade materna e fetal. Ocorre quando há uma solução de continuidade na parede uterina, geralmente durante o trabalho de parto. Fatores de risco incluem cirurgias uterinas prévias (como cesariana anterior, miomectomia), grande multiparidade, uso excessivo de ocitocina e trauma. O quadro clínico clássico de rotura uterina inclui dor abdominal súbita e intensa (se a paciente não estiver sob anestesia epidural), sangramento vaginal, alterações na frequência cardíaca fetal (especialmente bradicardia súbita ou desacelerações prolongadas), e a perda da apresentação fetal (a parte fetal que estava progredindo no canal de parto ascende). A palpação abdominal pode revelar partes fetais mais facilmente e a ausência de contrações uterinas eficazes. No caso apresentado, o histórico de miomectomia é um fator de risco crucial. A bradicardia fetal, o sangramento vaginal e a retração da apresentação fetal (de +2 para -3) formam um conjunto de sinais altamente sugestivos de rotura uterina, exigindo intervenção imediata, geralmente uma laparotomia exploradora e, muitas vezes, histerectomia. Residentes devem ter alta suspeição para este diagnóstico em pacientes com fatores de risco e apresentação clínica compatível.
Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa (se o útero não estiver anestesiado), sangramento vaginal, bradicardia fetal ou outras alterações da frequência cardíaca fetal, e a retração da apresentação fetal (perda da progressão ou ascensão da parte apresentada).
A miomectomia, especialmente se envolver incisões profundas na parede uterina, pode deixar uma cicatriz que enfraquece o útero, aumentando significativamente o risco de rotura durante o trabalho de parto subsequente.
Embora ambos causem sangramento e sofrimento fetal, a rotura uterina frequentemente apresenta dor mais aguda e localizada, e a perda da apresentação fetal, enquanto no DPP a dor é mais difusa e o útero pode estar hipertonia, mas a apresentação fetal geralmente não se retrai.
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