UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2023
Secundigesta, com gestação a termo, em trabalho de parto há mais ou menos 10 horas, comunica a equipe de enfermagem dor intensa e súbita em região de baixo ventre. Associado, equipe percebe queda na pressão arterial e sangramento vaginal intenso. Ao toque, observa-se dilatação total com polo cefálico acima do estreito superior. Os batimentos cardíacos fetais não estão audíveis. Qual a melhor conduta?
Dor súbita + sangramento + hipotensão + BCF ausentes + polo alto em dilatação total → Rotura uterina = Laparotomia imediata.
O quadro clínico de dor súbita e intensa em baixo ventre, sangramento vaginal profuso, hipotensão materna, ausência de BCF e polo cefálico alto em dilatação total é altamente sugestivo de rotura uterina. Esta é uma emergência obstétrica grave que exige intervenção cirúrgica imediata (laparotomia) para salvar a vida da mãe e, se possível, do feto.
A rotura uterina é uma das mais graves emergências obstétricas, associada a alta morbimortalidade materna e fetal. O quadro clínico clássico, como descrito na questão, é de dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal, sinais de choque hipovolêmico materno (queda da pressão arterial), e alterações fetais graves, como bradicardia ou ausência de batimentos cardíacos fetais (BCF). O achado de polo cefálico alto em dilatação total, após um período de trabalho de parto, sugere que o feto 'escapou' da pelve para a cavidade abdominal através da rotura. A fisiopatologia envolve a ruptura da parede uterina, geralmente em um local de cicatriz prévia (cesariana, miomectomia) ou em um útero multíparo com parede enfraquecida, sob estresse de contrações uterinas intensas ou trabalho de parto prolongado. Isso leva a hemorragia interna e externa, comprometimento fetal por hipóxia e, em casos extremos, expulsão fetal para a cavidade abdominal. A conduta diante de uma forte suspeita de rotura uterina é a laparotomia exploradora de emergência. Não há tempo para exames complementares demorados. O objetivo é controlar a hemorragia, extrair o feto rapidamente (se ainda viável) e reparar o útero ou realizar histerectomia, dependendo da extensão da lesão e do desejo de futura gestação da paciente. A infusão de ocitocina seria contraindicada, fórceps ineficaz com polo alto, e compressão uterina não resolveria a hemorragia interna.
Os fatores de risco incluem cesariana prévia (especialmente com incisão corporal), cirurgias uterinas prévias (miomectomia), grande multiparidade, uso excessivo de ocitocina ou prostaglandinas, trauma abdominal e trabalho de parto obstruído ou prolongado.
A rotura uterina se distingue pela dor súbita e intensa, sinais de choque materno, alteração da apresentação fetal (polo alto), e frequentemente ausência de BCF. Diferencia-se de descolamento prematuro de placenta pela dor mais localizada e pela ausência de hipertonia uterina típica do DPP.
O objetivo primário da laparotomia é controlar a hemorragia, que pode ser maciça e levar ao choque hipovolêmico materno. Além disso, permite a extração fetal rápida e a reparação da lesão uterina ou, em casos graves, a histerectomia.
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