Rotura Uterina: Diagnóstico e Manejo de Urgência

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021

Enunciado

Gestante de 35 semanas, com dois partos cesáreos anteriores, encontra-se em trabalho de parto pré-termo, há três horas, com 4 cm de dilatação. Enquanto se montava a sala de cesárea, a paciente referiu tonturas e melhora da dor. Neste momento, a pressão está em 80 mmHg x 40 mmHg. Ao palpar o abdômen, você sente facilidade em palpar o feto, com batimentos inaudíveis. O provável diagnóstico e o tratamento a ser realizado constam, respectivamente, na alternativa:

Alternativas

  1. A) Descolamento prematuro de placenta normalmente inserida, laparotomia exploradora de urgência.
  2. B) Rotura de vasa prévia, cesárea de emergência.
  3. C) Rotura de seio marginal, cesárea de emergência.
  4. D) Rotura uterina, laparotomia exploradora de urgência.

Pérola Clínica

Rotura uterina: dor súbita ↓, hipotensão, BCF inaudíveis, palpação fetal fácil → laparotomia urgente.

Resumo-Chave

A rotura uterina é uma emergência obstétrica grave, especialmente em gestantes com cicatriz uterina prévia. A melhora da dor após um pico intenso, associada a sinais de choque materno e sofrimento fetal agudo (BCF inaudíveis), é altamente sugestiva. A palpação fácil do feto indica que ele está fora da cavidade uterina.

Contexto Educacional

A rotura uterina é uma das mais graves emergências obstétricas, caracterizada pela separação completa da parede uterina. Sua incidência é baixa, mas a morbimortalidade materna e fetal é alta, especialmente em países em desenvolvimento. A principal causa é a presença de uma cicatriz uterina prévia, como a de cesariana, que se rompe durante o trabalho de parto ou, menos frequentemente, na gestação. Outros fatores de risco incluem multiparidade, uso inadequado de ocitocina e trauma abdominal. O diagnóstico é clínico e deve ser suspeitado em gestantes com fatores de risco que apresentam dor abdominal súbita e intensa, seguida de uma sensação de alívio, associada a sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia), sangramento vaginal e alterações na vitalidade fetal (BCF inaudíveis ou bradicardia). A palpação de partes fetais facilmente sob a parede abdominal materna é um sinal tardio e grave. A diferenciação com descolamento prematuro de placenta é crucial, embora ambos exijam intervenção imediata. O tratamento é cirúrgico e de emergência: laparotomia exploradora. O objetivo é controlar o sangramento, extrair o feto rapidamente e avaliar a possibilidade de reparo uterino ou histerectomia, dependendo da extensão da lesão e do desejo de futura gestação. A agilidade no diagnóstico e na intervenção é fundamental para melhorar o prognóstico materno e fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para rotura uterina?

Os principais fatores de risco incluem cicatriz uterina prévia (cesariana, miomectomia), grande multiparidade, uso excessivo de ocitocina ou prostaglandinas, e trauma abdominal. A história de duas cesáreas anteriores na paciente é um fator de risco significativo.

Quais são os sinais clínicos que indicam uma rotura uterina?

Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa seguida por alívio, hipotensão e taquicardia materna, sangramento vaginal, BCF inaudíveis ou bradicardia fetal, e palpação fácil de partes fetais fora do útero.

Qual a conduta imediata diante da suspeita de rotura uterina?

A conduta é a laparotomia exploradora de urgência para controle do sangramento, extração fetal e reparo ou histerectomia uterina, visando salvar a vida da mãe e do feto.

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