INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2020
Paciente de 45 anos, 38 semanas, em período expulsivo após rápida evolução do trabalho de parto. Ao exame foi detectada hipertonia uterina que se seguiu de sangramento volumoso, hipotensão arterial, desaceleração dos batimentos cardíacos fetais e subida da apresentação. Qual sua hipótese diagnóstica?
Hipertonia uterina + sangramento + hipotensão + BCF ↓ + subida apresentação → Rotura uterina.
A rotura uterina é uma emergência obstétrica grave, caracterizada por dor abdominal súbita, sangramento vaginal, sinais de choque materno, alterações da frequência cardíaca fetal e, classicamente, a subida da apresentação fetal devido à perda do tônus uterino. A hipertonia uterina prévia pode ser um sinal de sofrimento e risco iminente.
A rotura uterina é uma complicação obstétrica rara, mas catastrófica, com alta morbimortalidade materna e fetal. Sua incidência é maior em mulheres com cicatriz uterina prévia (cesariana, miomectomia) e em casos de trabalho de parto prolongado, uso inadequado de ocitocina ou manobras obstétricas. É fundamental que o residente esteja apto a reconhecer rapidamente os sinais e sintomas para uma intervenção imediata. A fisiopatologia envolve a separação da parede uterina, resultando em hemorragia interna e/ou externa, sofrimento fetal por hipóxia e, em casos graves, expulsão do feto para a cavidade abdominal. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de dor súbita, sangramento e alteração do padrão de contrações ou BCF, com a subida da apresentação fetal sendo um sinal patognomônico. O tratamento é cirúrgico e emergencial, visando a interrupção da gestação, controle da hemorragia e reparo da lesão uterina ou histerectomia, dependendo da extensão do dano e do desejo de futura gestação. A estabilização hemodinâmica da mãe e a reanimação fetal são prioridades. O prognóstico materno e fetal depende diretamente da rapidez do diagnóstico e da intervenção.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal, hipotensão materna, taquicardia, desaceleração dos batimentos cardíacos fetais e, um achado distintivo, a subida da apresentação fetal.
A conduta é emergencial, exigindo laparotomia exploradora imediata para controle do sangramento, reparo uterino ou histerectomia, e parto do feto. A estabilização hemodinâmica materna é prioritária.
Embora ambos apresentem sangramento e sofrimento fetal, a rotura uterina é caracterizada pela subida da apresentação fetal e, por vezes, cessação das contrações, enquanto no descolamento há útero hipertônico e doloroso, mas a apresentação fetal geralmente não se altera.
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