IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022
Uma gestante de quarenta anos de idade, G5P3A1, estava em fase ativa de trabalho de parto induzido, caracterizado por cinco contrações de 40 segundos em 10 minutos, batimentos cardíacos fetais de 148 bpm e, ao toque, apresentação cefálica, no plano zero de De Lee, bolsa amniótica rota e colo com 8 cm de dilatação. Subitamente, referiu dor escapular intensa, acompanhada de interrupção da contratilidade uterina. Foi examinada novamente e, ao toque vaginal, observou-se apresentação cefálica alta e móvel e sangramento vaginal discreto. Ao exame físico: frequência cardíaca de 130 bpm; e pressão arterial de 80 x 40 mmHg.Trata-se de um caso de
Dor escapular súbita + interrupção contrações + apresentação fetal alta + choque → Rotura uterina (Sinal de Laffont).
A rotura uterina é uma emergência obstétrica grave, caracterizada por dor súbita e intensa (muitas vezes referida no ombro, sinal de Laffont), interrupção das contrações uterinas, sangramento vaginal e sinais de choque materno. A apresentação fetal que estava baixa pode se tornar alta e móvel devido à saída do feto para a cavidade abdominal.
A rotura uterina é uma das emergências obstétricas mais catastróficas, com alta morbimortalidade materna e fetal. Caracteriza-se pela separação completa da parede uterina, incluindo o miométrio, resultando na comunicação entre a cavidade uterina e a peritoneal. Embora rara, sua incidência aumenta em úteros cicatriciais e em trabalhos de parto induzidos ou prolongados. A fisiopatologia envolve a ruptura mecânica do miométrio sob estresse excessivo, como contrações uterinas intensas ou obstrução do parto. Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa (muitas vezes referida no ombro, o sinal de Laffont, devido à irritação diafragmática), cessação das contrações uterinas, sangramento vaginal (que pode ser discreto ou profuso), taquicardia e hipotensão materna (sinais de choque). Ao toque vaginal, a apresentação fetal pode ascender ou se tornar palpável fora do útero. O diagnóstico é clínico e a conduta é uma laparotomia de emergência imediata. A estabilização hemodinâmica da mãe é prioritária, com reposição volêmica agressiva e transfusão sanguínea. O feto deve ser extraído rapidamente, e o útero reparado ou, em casos graves, realizada histerectomia. O prognóstico fetal é sombrio, e o materno depende da rapidez da intervenção.
Os fatores de risco incluem útero cicatricial (cesariana anterior, miomectomia), grande multiparidade, uso excessivo de ocitocina ou prostaglandinas, trauma abdominal e anomalias uterinas.
O sinal de Laffont é a dor referida no ombro ou escapular, causada pela irritação do diafragma pelo sangue ou líquido amniótico na cavidade abdominal, que é inervado pelo nervo frênico.
A conduta imediata é estabilização hemodinâmica da mãe (fluidos, transfusão), interrupção da indução do parto e laparotomia de emergência para extração fetal e reparo uterino ou histerectomia.
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