SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Gestante, 30 semanas, G1P0, comparece à emergência com quadro de perda de líquido em pequena quantidade pela vagina que molhou a cadeira que estava sentada. Nega perdas sanguíneas e dor. Refere boa movimentação fetal. Sobre o quadro, é correto afirmar que
Perda de líquido vaginal em gestante → Suspeita RPMO. Confirmar com teste de nitrazina (pH alcalino) e/ou cristalização.
A perda de líquido vaginal em gestantes, especialmente após o segundo trimestre, deve levantar a forte suspeita de rotura prematura de membranas (RPMO). O diagnóstico é clínico e confirmado por testes como o de nitrazina (que detecta pH alcalino do líquido amniótico) ou o teste de cristalização (fern test). O exame especular é fundamental para visualização direta e coleta de material.
A rotura prematura de membranas (RPMO) é definida como a rotura das membranas amnióticas e coriônicas antes do início do trabalho de parto. É uma complicação obstétrica relativamente comum, ocorrendo em cerca de 10% das gestações a termo e em 2-4% das gestações pré-termo, sendo uma das principais causas de parto prematuro. A RPMO pré-termo (antes de 37 semanas) está associada a maior morbimortalidade perinatal. O diagnóstico de RPMO é primariamente clínico, baseado na história de perda de líquido vaginal. A paciente geralmente relata um 'jato' ou 'gotejamento' contínuo de líquido claro ou amarelado. Ao exame físico, o exame especular é crucial para visualizar o líquido amniótico fluindo pelo colo uterino e para realizar testes confirmatórios. O teste de nitrazina avalia o pH do líquido vaginal (líquido amniótico é alcalino, pH > 6,5), e o teste de cristalização (fern test) observa o padrão de 'folha de samambaia' ao microscópio. O toque vaginal digital deve ser evitado em gestações pré-termo com RPMO confirmada para reduzir o risco de infecção. A conduta na RPMO depende da idade gestacional, da presença de infecção e do bem-estar fetal. Em gestações pré-termo, o manejo geralmente envolve internação, antibioticoprofilaxia para prevenir infecção, corticoterapia para maturação pulmonar fetal e vigilância rigorosa. Em gestações a termo, a indução do trabalho de parto é frequentemente a conduta. É vital que residentes saibam diagnosticar e manejar a RPMO para otimizar os desfechos maternos e neonatais.
O diagnóstico de RPMO é feito pela história clínica de perda de líquido, exame especular para visualização direta do líquido amniótico fluindo pelo colo, e testes confirmatórios como o teste de nitrazina (que detecta pH alcalino) e o teste de cristalização (fern test), que mostra um padrão de 'folha de samambaia' ao microscópio.
O exame especular é fundamental para visualizar a perda de líquido amniótico pelo orifício cervical e para coletar amostras para os testes de nitrazina e cristalização, minimizando o risco de infecção. O toque vaginal digital é geralmente contraindicado em gestações pré-termo com RPMO confirmada, pois pode aumentar o risco de infecção intra-amniótica.
As principais complicações da RPMO incluem infecção intra-amniótica (corioamnionite), trabalho de parto prematuro, prolapso de cordão umbilical, descolamento prematuro de placenta e, em casos de RPMO muito precoce, hipoplasia pulmonar fetal e deformidades musculoesqueléticas.
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