RPMO 34 Semanas: Diagnóstico e Manejo da Infecção

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

Paciente 27 anos, G2 P1, 1 parto eutócico, idade gestacional 34 semanas, admitida com bolsa rota há 4 horas. Na admissão:

Alternativas

  1. A) A corioamnionite é indicação absoluta de interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, e deve ser antecedida de antibiótico profilático e corticoide para garantir maturidade pulmonar fetal.
  2. B) Inibir trabalho de parto e administrar: ampicilina 2g IV 6/6 horas por 48 horas + azitromicina 1g VO dose única. Após 48 horas, substituir a ampicilina por amoxicilina 500 mg VO de 8/8 horas por 5 dias, visando aumentar período de latência entre a perda de líquido e o trabalho de parto.
  3. C) Inibir trabalho de parto e administrar: betametasona 12mg via intramuscular de 24/24 horas por 48 horas. Droga alternativa: dexametasona 6mg, IM, de 12/12h por 48h (4 doses – total 24mg) visando acelerar a maturidade pulmonar fetal.
  4. D) Prescrever sulfato de magnésio visando neuroproteção fetal entre 28 e 36,6 semanas.
  5. E) Pesquisar a presença de infecção materna e/ou fetal: clínica (febre) + exames laboratoriais; solicitar pesquisa de streptococcus do grupo B com coleta de Swab vaginal e anal.

Pérola Clínica

RPMO 34 semanas → pesquisar infecção (clínica/laboratorial) e SGB.

Resumo-Chave

Em caso de RPMO em idade gestacional de 34 semanas, a principal preocupação é a infecção. É crucial investigar sinais clínicos de corioamnionite (febre, taquicardia materna/fetal, dor uterina) e realizar exames laboratoriais, além de rastrear o Streptococcus do grupo B.

Contexto Educacional

A rotura prematura de membranas (RPMO) é uma complicação obstétrica comum, definida como a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. O manejo da RPMO depende crucialmente da idade gestacional e da presença de infecção. Em gestações a termo, a conduta é geralmente a indução do parto. No entanto, em gestações pré-termo, como no caso de 34 semanas, o equilíbrio entre prolongar a gestação e o risco de infecção é delicado. A principal complicação da RPMO é a infecção intra-amniótica (corioamnionite), que pode levar a sepse materna e fetal, parto prematuro e outras morbidades. Portanto, a investigação ativa de sinais de infecção é a prioridade na admissão. Isso inclui avaliação clínica (febre, taquicardia, dor uterina) e exames laboratoriais (hemograma, PCR). Além disso, o rastreamento para Streptococcus do grupo B (SGB) é essencial, pois a RPMO aumenta o risco de transmissão vertical. Embora a corticoterapia para maturidade pulmonar fetal e a neuroproteção com sulfato de magnésio sejam importantes em idades gestacionais mais precoces, a partir de 34 semanas, o benefício desses tratamentos diminui e a prioridade se desloca para o manejo da infecção. A decisão de inibir o trabalho de parto ou prolongar a latência deve ser cuidadosamente ponderada contra o risco de corioamnionite, que é uma indicação absoluta para a interrupção da gestação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de corioamnionite em caso de RPMO?

Os principais sinais de corioamnionite incluem febre materna (>38°C), taquicardia materna, taquicardia fetal, dor uterina e secreção vaginal purulenta.

Por que é importante pesquisar Streptococcus do grupo B em gestantes com RPMO?

A pesquisa de Streptococcus do grupo B (SGB) é crucial porque a infecção por SGB pode causar sepse neonatal precoce grave. Em caso de RPMO, a profilaxia antibiótica é indicada se o status do SGB for desconhecido ou positivo.

Qual a conduta em relação à maturidade pulmonar fetal e neuroproteção na RPMO de 34 semanas?

A corticoterapia para maturidade pulmonar é indicada entre 24 e 34 semanas. Após 34 semanas, o benefício é menor. A neuroproteção com sulfato de magnésio é indicada entre 24 e 32 semanas, podendo ser estendida até 33 semanas e 6 dias em alguns protocolos, mas não é a prioridade inicial na presença de risco infeccioso.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo