UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Primigesta de 27 semanas é internada com o diagnóstico de rotura das membranas. Na internação recebeu ciclo de corticoide (betametasona) e foi pesquisada a presença de Estreptococo beta hemolítico. Exames laboratoriais: Hb 11,3; Ht 34%; leucograma 8700 sem desvio; PCR 4,3. Ultrassonografia: feto único em apresentação pélvica, placenta corporal anterior grau 0, ILA 5,6 cm (normal de 8 a 18 cm), peso estimado 950g (entre o percentil 10 e 50). No 3° dia de internação, paciente evolui com contrações uterinas ritmadas (3 em 10 minutos) e dolorosas. Qual é a melhor conduta?
RPMO 27s + TPP + PCR ↑ → interrupção (cesariana pélvica) + neuroproteção (MgSO4) + ATB (Ampicilina).
Em RPMO com 27 semanas, trabalho de parto prematuro e PCR elevada (sugestivo de corioamnionite subclínica), a interrupção da gestação é a conduta prioritária. A apresentação pélvica em prematuro extremo (950g) indica cesariana. Deve-se administrar sulfato de magnésio para neuroproteção fetal e ampicilina para profilaxia de Estreptococo beta hemolítico.
A Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO) é a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação. É uma das principais causas de parto prematuro e está associada a riscos significativos para o feto, incluindo prematuridade, infecção (corioamnionite), compressão de cordão e hipoplasia pulmonar (em casos de oligodrâmnio prolongado e precoce). O manejo depende da idade gestacional, presença de infecção e bem-estar fetal. No caso de 27 semanas, a gestação é considerada de extremo pré-termo. A presença de contrações uterinas ritmadas e dolorosas indica trabalho de parto prematuro. A PCR elevada, mesmo com leucograma sem desvio, pode sugerir um processo inflamatório ou infeccioso subclínico (corioamnionite subclínica), que é uma contraindicação à tocólise. Nessas situações, a interrupção da gestação é a conduta mais segura para a mãe e o feto, visando evitar a progressão para uma infecção grave. Para o feto, a administração de um ciclo de corticoide (betametasona) já foi realizada para maturação pulmonar. O sulfato de magnésio é essencial para neuroproteção fetal em partos antes de 32 semanas. A ampicilina é indicada para profilaxia de Estreptococo beta hemolítico. Dada a idade gestacional (27 semanas) e o peso fetal (950g), além da apresentação pélvica, a via de parto mais segura para o feto é a cesariana, minimizando os riscos de trauma e complicações associadas ao parto vaginal de um prematuro extremo em apresentação não cefálica.
O sulfato de magnésio é crucial para neuroproteção fetal em partos prematuros antes de 32 semanas. Ele reduz o risco de paralisia cerebral e outras morbidades neurológicas graves em recém-nascidos pré-termo, sendo administrado antes do parto.
A ampicilina é utilizada para profilaxia de infecção por Estreptococo beta hemolítico (GBS), uma causa comum de sepse neonatal precoce. Em casos de RPMO, o risco de infecção ascendente é aumentado, justificando o uso de antibióticos para prolongar a latência e prevenir infecções maternas e fetais.
A tocólise é contraindicada na RPMO quando há sinais de infecção intra-amniótica (corioamnionite clínica ou subclínica, como PCR elevada), sofrimento fetal, descolamento prematuro de placenta, ou em gestações muito avançadas onde o risco da tocólise supera o benefício de prolongar a gestação.
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