Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
R.C.F., 33 anos, GIII PII 1C 1N AI, IG 34 semanas e 2 dias, deu entrada ao PSO com queixa de perda de líquido há 2 horas. Ao exame: PA 100 x 60 mmHg, BCF 150 bpm, dinâmica uterina ausente, toque vaginal: colo impérvio, grosso e posterior. Especular: saída de líquido claro sem grumos pelo orifício externo do colo uterino. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que representa a conduta mais adequada.
RPMO (34s2d) + Cesariana prévia + Colo desfavorável → Parto cesariano pode ser a conduta mais adequada para evitar riscos.
Em casos de rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO) em gestante com cesariana prévia e colo desfavorável, o parto cesariano pode ser a conduta mais segura para evitar os riscos de indução de parto ou trabalho de parto prolongado em útero cicatricial, minimizando o risco de rotura uterina e infecção.
A rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO) é uma complicação obstétrica que exige manejo cuidadoso, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais como cesariana prévia. A decisão sobre a via de parto deve considerar a idade gestacional, o estado materno e fetal, a presença de infecção e as condições do colo uterino, buscando sempre o melhor desfecho para mãe e feto. No caso de RPMO em gestação de 34 semanas e 2 dias, com histórico de cesariana prévia e um colo uterino impérvio, grosso e posterior (desfavorável), a indução do parto vaginal apresenta riscos aumentados. A tentativa de indução em um útero cicatricial e com colo imaturo pode levar a um trabalho de parto prolongado, falha de indução e, mais gravemente, rotura uterina. Além disso, a RPMO aumenta o risco de infecção, e um trabalho de parto prolongado pode exacerbar esse risco. Diante desse cenário complexo, o parto cesariano pode ser considerado a conduta mais adequada para minimizar os riscos maternos e fetais. Embora a maturação pulmonar com corticosteroides seja indicada em gestações pré-termo, e a neuroproteção com sulfato de magnésio em idades gestacionais mais precoces, a prioridade aqui é a segurança da via de parto em um contexto de útero cicatricial e RPMO. A escolha do cesariano visa um parto seguro e controlado, evitando as potenciais complicações de uma tentativa de parto vaginal em condições desfavoráveis.
Os riscos incluem rotura uterina, especialmente se houver necessidade de indução com ocitocina ou prostaglandinas, e aumento do risco de infecção devido à RPMO prolongada, que pode ser agravado por um trabalho de parto mais longo.
O sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal em gestações pré-termo entre 24 e 32 semanas, ou até 33 semanas e 6 dias em algumas diretrizes, quando o parto é iminente. No caso da questão (34 semanas e 2 dias), a indicação de neuroproteção por sulfato de magnésio é menos comum, focando mais na maturação pulmonar com corticosteroides se o parto não for imediato.
A idade gestacional é crucial. Em gestações muito pré-termo (<34 semanas), o manejo é geralmente expectante, com foco em maturação pulmonar e neuroproteção. Em gestações a termo ou próximo do termo (>34 semanas), a indução do parto ou o parto são frequentemente considerados para reduzir o risco de infecção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo