UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Secundigesta com 1 cesariana prévia, idade gestacional de 33 semanas, consulta em PA com queixa de perda líquida vaginal, contrações uterinas de frequência irregular e lombalgia. Refere que há cerca de 1 semana vem apresentando episódios de disúria. Ao exame físico apresenta bom estado geral, normotensa, FC de 110bpm, temperatura axilar de 38°C. Útero com sensibilidade aumentada e dinâmica de 1 contração a cada 10 minutos. Batimentos cardiofetais de 145bpm. Ao especular apresenta líquido amniótico visualizado em orifício cervical externo e dilatação de 3cm. Punho-percussão lombar negativa. Qual é o provável diagnóstico e qual é a conduta a ser seguida?
RPMO-PT + febre, taquicardia materna, útero sensível = Corioamnionite → desfecho gestacional imediato.
A presença de febre, taquicardia materna e sensibilidade uterina em um quadro de rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO-PT) sugere corioamnionite, uma infecção intra-amniótica que exige o desfecho imediato da gestação, independentemente da idade gestacional, para prevenir sepse.
A rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO-PT) é a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação. É uma complicação comum que aumenta o risco de prematuridade, infecção intra-amniótica (corioamnionite), prolapso de cordão e descolamento de placenta. A corioamnionite é uma infecção e inflamação das membranas fetais e do líquido amniótico, geralmente causada por bactérias ascendentes da vagina, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. Os sinais de corioamnionite incluem febre materna (>38°C), taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), sensibilidade uterina e leucocitose materna. No caso clínico, a paciente apresenta febre (38°C), taquicardia materna (110 bpm), útero com sensibilidade aumentada e RPMO-PT confirmada por líquido amniótico no orifício cervical externo, configurando o diagnóstico de corioamnionite. A disúria prévia pode indicar uma infecção do trato urinário que pode ter ascendido, contribuindo para o quadro. Quando a corioamnionite é diagnosticada em um quadro de RPMO-PT, a conduta é o desfecho imediato da gestação, independentemente da idade gestacional, para prevenir sepse materna e fetal. Isso geralmente envolve indução do trabalho de parto ou cesariana, dependendo das condições obstétricas e da vitalidade fetal. A antibioticoterapia de amplo espectro também deve ser iniciada imediatamente. O prolongamento da gestação nessas condições é contraindicado devido aos riscos significativamente aumentados para a mãe e o feto.
Os critérios diagnósticos para corioamnionite incluem febre materna (>38°C), associada a pelo menos um dos seguintes: taquicardia materna, taquicardia fetal, sensibilidade uterina ou leucocitose materna.
O desfecho gestacional é a conduta principal na corioamnionite para prevenir a progressão da infecção para sepse materna e fetal, que pode levar a complicações graves e óbito.
Para a mãe, os riscos incluem sepse, endometrite pós-parto e histerectomia. Para o feto, há risco de sepse neonatal, pneumonia, hemorragia intraventricular e paralisia cerebral, além dos riscos da prematuridade.
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