UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 22a, G2P1A0, idade gestacional de 30 semanas, sem comorbidades, comparece ao Pronto Atendimento referindo dor em baixo ventre e sangramento vaginal discreto. Boa movimentação fetal. Exame físico: PA=102x62mmHg; FC=96bpm; altura uterina=28cm; BCF=152bpm; dinâmica uterina=ausente; especular=ausência de líquido ou sangue em vagina ou colo uterino; toque vaginal=colo dilatado 2cm, grosso, posterior. Após 30 minutos do exame, apresentou perda de líquido amniótico por via vaginal em grande quantidade. ALÉM DA INTERNAÇÃO HOSPITALAR, AS MEDIDAS INDICADAS NESTE MOMENTO SÃO:
RPMO <34 semanas → Corticoterapia, ATB profilaxia EGB, neuroproteção (se <32s), monitorização e triagem infecciosa.
Em caso de RPMO pré-termo (<34 semanas), a conduta visa prolongar a gestação para permitir a maturação pulmonar fetal com corticoide, prevenir infecção com antibióticos e, se indicado, neuroproteger o feto. A monitorização fetal e materna é crucial para identificar complicações como corioamnionite.
A Rotura Prematura de Membranas (RPMO) é definida como a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre antes de 37 semanas de gestação, é chamada de RPMO pré-termo (RPMP). A incidência varia, mas é uma causa significativa de morbimortalidade neonatal, principalmente devido à prematuridade e infecção. O diagnóstico é clínico, confirmado pela visualização de líquido amniótico no exame especular ou testes específicos. A conduta depende da idade gestacional e da presença de infecção ou sofrimento fetal. Na RPMO pré-termo, especialmente entre 24 e 34 semanas, o manejo visa prolongar a gestação para permitir a maturação fetal, enquanto se previnem complicações. A corticoterapia é fundamental para a maturação pulmonar. A antibioticoprofilaxia é indicada para reduzir o risco de corioamnionite e prolongar o período de latência. A neuroproteção com sulfato de magnésio é considerada para gestações abaixo de 32 semanas. A monitorização contínua da mãe e do feto é essencial para identificar sinais de infecção (corioamnionite) ou sofrimento fetal, que indicariam a necessidade de interrupção da gestação. O prognóstico da RPMO pré-termo está diretamente relacionado à idade gestacional no momento da ruptura e à ocorrência de complicações como infecção, descolamento de placenta e compressão de cordão. O tratamento conservador é preferencial na ausência de infecção ou comprometimento fetal, buscando o melhor equilíbrio entre os riscos da prematuridade e os riscos de infecção. É crucial que o residente saiba diferenciar as condutas para cada faixa de idade gestacional e reconhecer os sinais de alarme que demandam intervenção imediata.
Os pilares incluem a monitorização fetal e materna (cardiotocografia, triagem infecciosa), corticoterapia para maturação pulmonar fetal, antibioticoprofilaxia para prevenir infecção e, se a idade gestacional for inferior a 32 semanas, neuroproteção fetal com sulfato de magnésio.
A corticoterapia (betametasona ou dexametasona) é indicada para acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em fetos pré-termos.
O sulfato de magnésio é utilizado para neuroproteção fetal em gestações com idade gestacional inferior a 32 semanas, com o objetivo de reduzir o risco de paralisia cerebral e outras morbidades neurológicas graves em recém-nascidos pré-termos.
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