RPMO e Útero Cicatricial: Conduta no Parto Prematuro

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Gestante de 32 anos, G4PC3A0, idade gestacional de 34 semanas e 5 dias confirmada por ultrassom de primeiro trimestre, comparece ao pronto-atendimento com queixa de perda de líquido via vaginal iniciada há duas horas, associada a contrações. Ao exame, apresenta 3 contrações de 20 segundos em 10 minutos, tônus uterino normal, batimentos cardíacos fetais de 146 bpm, exame especular evidenciando grande quantidade de líquido em fundo de saco vaginal, toque vaginal com colo uterino com 6 cm de dilatação, apagamento de 70%, feto em apresentação cefálica, plano -2 de De Lee. Qual a melhor conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Prescrição de nifedipino para tocólise, associado a corticoide IM para maturação pulmonar fetal.
  2. B) Hidratação venosa, observação clínica e realização de propedêutica infecciosa.
  3. C) Medidas gerais para aguardar o parto por via vaginal.
  4. D) Prescrever duas doses de betametasona IM, com intervalo de 24h entre elas, para programação de cesariana.
  5. E) Parto imediato por cesariana.

Pérola Clínica

RPMO + Trabalho de Parto Ativo + Útero Cicatricial (PC3) → Parto imediato por Cesariana.

Resumo-Chave

Diante de uma gestante com rotura prematura de membranas (RPMO) e trabalho de parto ativo em útero cicatricial (histórico de 3 cesarianas), a conduta mais segura é o parto imediato por cesariana. O risco de rotura uterina em um trabalho de parto vaginal é elevado e potencialmente catastrófico.

Contexto Educacional

A rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO) associada a trabalho de parto ativo em uma gestante com útero cicatricial (G4PC3A0) representa um cenário obstétrico de alta complexidade e risco. A idade gestacional de 34 semanas e 5 dias classifica o feto como prematuro tardio, com bom prognóstico neonatal, mas a prioridade recai sobre a segurança materna. A fisiopatologia do risco de rotura uterina em útero cicatricial é a fragilidade da cicatriz miometrial prévia. O trabalho de parto, com suas contrações uterinas, impõe estresse mecânico sobre essa cicatriz, aumentando exponencialmente o risco de deiscência ou rotura completa. A presença de trabalho de parto ativo e RPMO acelera a necessidade de intervenção. A conduta é o parto imediato por cesariana. A tocólise é contraindicada devido ao trabalho de parto avançado e ao risco de rotura uterina. A administração de corticoides para maturação pulmonar, embora geralmente indicada em prematuros, não teria tempo hábil para efeito pleno e não justificaria o risco de prolongar a gestação neste contexto de alto risco materno.

Perguntas Frequentes

Qual o principal risco de trabalho de parto vaginal em gestante com útero cicatricial?

O principal risco é a rotura uterina, uma complicação grave que pode levar a hemorragia maciça materna e sofrimento ou óbito fetal.

Quando a tocólise é contraindicada em casos de rotura prematura de membranas?

A tocólise é contraindicada em casos de trabalho de parto avançado, corioamnionite, sofrimento fetal, descolamento prematuro de placenta e, como neste caso, em útero cicatricial com risco de rotura.

Qual a importância da idade gestacional de 34 semanas e 5 dias neste cenário?

Embora seja um prematuro tardio, a idade gestacional já permite um bom prognóstico neonatal. No entanto, o risco materno de rotura uterina devido ao útero cicatricial sobrepõe a necessidade de prolongar a gestação, indicando o parto imediato.

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