RPMO em 35 Semanas: Conduta no Trabalho de Parto Prematuro

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Primigesta de 16 anos com 35 semanas consulta por queixa de perda líquida vaginal cerca de 24 horas antes da avaliação. Apresentou pequeno sangramento vaginal associado e início de contrações uterinas ritmadas. Pré-natal com apenas 3 consultas no primeiro e no segundo trimestres e sem exames laboratoriais. Ao exame físico: bom estado geral, normotensa, apirética. Altura uterina de 36cm, bcf de 136bpm, dinâmica uterina de 3 contrações a cada 10 minutos, especular com visualização de líquido amniótico meconial fluindo ativamente pelo orifício cervical externo. Toque vaginal com colo amolecido, 5cm de dilatação e apresentação cefálica. Entre as condutas abaixo, qual é considerada correta para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Realizar avaliação de bem-estar fetal e, se há ausência de alterações, administrar tocolítico e corticoide.
  2. B) Realizar cesariana, pela presença de líquido amniótico meconial.
  3. C) Administrar penicilina G benzatina 5.000.000 UI IV e 2.500.000 UI IV a cada 4 horas até o parto.
  4. D) Realizar avaliação de bem-estar fetal e, se há ausência de alterações, acompanhar evolução do trabalho de parto.

Pérola Clínica

RPMO 35 semanas + trabalho de parto ativo + líquido meconial → Avaliar bem-estar fetal e acompanhar parto, sem tocolíticos/corticoides.

Resumo-Chave

Em gestações ≥ 34 semanas com RPMO e trabalho de parto ativo, a conduta é geralmente expectante, visando o parto. A presença de mecônio requer monitoramento fetal, mas não é por si só indicação de cesariana, especialmente com dilatação avançada.

Contexto Educacional

A Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO) é a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação. É uma complicação comum que aumenta o risco de prematuridade, infecção intra-amniótica e outras morbidades neonatais, exigindo manejo cuidadoso. A conduta na RPMO depende da idade gestacional. Em gestações ≥ 34 semanas, o objetivo principal é o parto, devido ao risco crescente de infecção e ao menor benefício de prolongar a gestação. A presença de líquido meconial indica a necessidade de monitorização fetal rigorosa, mas não é uma indicação absoluta de cesariana se o bem-estar fetal estiver preservado e o trabalho de parto estiver progredindo adequadamente. Nesta idade gestacional (35 semanas), a administração de tocolíticos para inibir o parto e de corticoides para maturação pulmonar fetal geralmente não é indicada, pois os riscos superam os benefícios. O foco é na avaliação contínua do bem-estar fetal (cardiotocografia, perfil biofísico) e no acompanhamento da evolução do trabalho de parto, buscando o parto vaginal se as condições forem favoráveis e não houver sinais de sofrimento fetal.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da idade gestacional na conduta da RPMO?

A idade gestacional é crucial. Em gestações ≥ 34 semanas, o risco de prematuridade grave é menor, e a conduta tende a ser mais ativa em direção ao parto, especialmente se houver sinais de infecção ou trabalho de parto estabelecido.

A presença de líquido amniótico meconial sempre indica cesariana?

Não. O líquido meconial indica sofrimento fetal potencial e requer monitoramento rigoroso do bem-estar fetal. A cesariana é indicada se houver sinais de sofrimento fetal persistente ou não-reassurador, não apenas pela presença do mecônio.

Quando são indicados tocolíticos e corticoides na RPMO?

Tocolíticos são usados para inibir o trabalho de parto em idades gestacionais mais precoces (geralmente < 34 semanas). Corticoides são administrados para acelerar a maturação pulmonar fetal, também em gestações mais precoces (geralmente < 34 semanas). Na 35ª semana, o benefício é limitado e os riscos podem superar os benefícios.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo