RPMO Pré-Termo: Manejo em Gestação de 26 Semanas

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Primigesta com 26 semanas de idade gestacional, comparece à urgência e emergência obstétrica de uma maternidade de referência para gestações de alto risco queixando-se de perda de líquido via vaginal em grande quantidade há cerca de 4 horas. Nega outras queixas. Ao exame especular observa-se perda de líquido via canal cervical. Considerando o diagnóstico e a idade gestacional a conduta mais indicada é:

Alternativas

  1. A) interrupção da gravidez indispensavelmente devido inviabilidade fetal.
  2. B) interrupção da gravidez em caso de concordância do casal.
  3. C) expectante até 34 semanas na ausência de complicações com prescrição imediata de corticóide e antibiótico.
  4. D) expectante com prescrição de corticóide e antibiótico somente após 28 semanas.
  5. E) expectante até 28 semanas na ausência de complicações com prescrição imediata de corticóide e antibiótico.

Pérola Clínica

RPMO < 34 semanas: conduta expectante + corticoide + ATB profilático.

Resumo-Chave

Em casos de rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO) antes de 34 semanas de gestação, a conduta é expectante, visando prolongar a gestação. Isso inclui a administração de corticoide para maturação pulmonar fetal e antibioticoprofilaxia para prevenir infecção materna e fetal, além de monitoramento rigoroso.

Contexto Educacional

A rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO) é definida como a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação. É uma condição que afeta cerca de 3% das gestações e é responsável por aproximadamente um terço dos partos prematuros. O diagnóstico é clínico, confirmado pela visualização de líquido amniótico fluindo pelo canal cervical, e pode ser auxiliado por testes como o teste de nitrazina ou fern. O manejo da RPMO depende da idade gestacional. Em gestações entre 24 e 34 semanas, a conduta é geralmente expectante, visando prolongar a gestação para permitir a maturação fetal, desde que não haja sinais de infecção (corioamnionite), sofrimento fetal ou descolamento prematuro de placenta. A fisiopatologia da RPMO está ligada a fatores como infecções cervicovaginais, polidramnio, sangramento vaginal e deficiências nutricionais, que enfraquecem as membranas. A conduta expectante inclui a administração de corticosteroides (betametasona ou dexametasona) para maturação pulmonar fetal, antibioticoprofilaxia para reduzir o risco de infecção e prolongar o período de latência, e monitoramento rigoroso da mãe e do feto. A tocólise não é rotineiramente indicada, exceto em situações específicas. O sulfato de magnésio pode ser considerado para neuroproteção fetal em gestações antes de 32 semanas. O objetivo é alcançar a idade gestacional mais avançada possível, idealmente 34 semanas, antes da interrupção da gravidez, minimizando os riscos associados à prematuridade.

Perguntas Frequentes

Qual a principal complicação da RPMO pré-termo?

A principal complicação da RPMO pré-termo é a prematuridade, com todas as suas consequências para o recém-nascido, além do risco aumentado de infecção intra-amniótica (corioamnionite) e descolamento prematuro de placenta.

Por que são administrados corticoides na RPMO pré-termo?

Corticoides são administrados para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em bebês prematuros.

Qual o papel da antibioticoprofilaxia na RPMO?

A antibioticoprofilaxia na RPMO visa prevenir a infecção intra-amniótica (corioamnionite) e a sepse neonatal, prolongando o período de latência entre a rotura das membranas e o parto, e melhorando os resultados perinatais.

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