UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Primigesta com 26 semanas de idade gestacional, comparece à urgência e emergência obstétrica de uma maternidade de referência para gestações de alto risco queixando-se de perda de líquido via vaginal em grande quantidade há cerca de 4 horas. Nega outras queixas. Ao exame especular observa-se perda de líquido via canal cervical. Considerando o diagnóstico e a idade gestacional a conduta mais indicada é:
RPMO < 34 semanas: conduta expectante + corticoide + ATB profilático.
Em casos de rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO) antes de 34 semanas de gestação, a conduta é expectante, visando prolongar a gestação. Isso inclui a administração de corticoide para maturação pulmonar fetal e antibioticoprofilaxia para prevenir infecção materna e fetal, além de monitoramento rigoroso.
A rotura prematura de membranas pré-termo (RPMO) é definida como a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação. É uma condição que afeta cerca de 3% das gestações e é responsável por aproximadamente um terço dos partos prematuros. O diagnóstico é clínico, confirmado pela visualização de líquido amniótico fluindo pelo canal cervical, e pode ser auxiliado por testes como o teste de nitrazina ou fern. O manejo da RPMO depende da idade gestacional. Em gestações entre 24 e 34 semanas, a conduta é geralmente expectante, visando prolongar a gestação para permitir a maturação fetal, desde que não haja sinais de infecção (corioamnionite), sofrimento fetal ou descolamento prematuro de placenta. A fisiopatologia da RPMO está ligada a fatores como infecções cervicovaginais, polidramnio, sangramento vaginal e deficiências nutricionais, que enfraquecem as membranas. A conduta expectante inclui a administração de corticosteroides (betametasona ou dexametasona) para maturação pulmonar fetal, antibioticoprofilaxia para reduzir o risco de infecção e prolongar o período de latência, e monitoramento rigoroso da mãe e do feto. A tocólise não é rotineiramente indicada, exceto em situações específicas. O sulfato de magnésio pode ser considerado para neuroproteção fetal em gestações antes de 32 semanas. O objetivo é alcançar a idade gestacional mais avançada possível, idealmente 34 semanas, antes da interrupção da gravidez, minimizando os riscos associados à prematuridade.
A principal complicação da RPMO pré-termo é a prematuridade, com todas as suas consequências para o recém-nascido, além do risco aumentado de infecção intra-amniótica (corioamnionite) e descolamento prematuro de placenta.
Corticoides são administrados para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em bebês prematuros.
A antibioticoprofilaxia na RPMO visa prevenir a infecção intra-amniótica (corioamnionite) e a sepse neonatal, prolongando o período de latência entre a rotura das membranas e o parto, e melhorando os resultados perinatais.
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