UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Paciente de 32 anos de idade, GI P0 AI, no decorrer de 35 semanas e 5 dias de gestação, foi admitida no pronto atendimento com queixa de perda de líquido via vaginal em grande quantidade, há uma hora e meia. Apresenta-se em bom estado geral, pressão arterial de 110/70mmHg, afebril, altura uterina de 33cm, feto em apresentação cefálica e dorso à direita, dinâmica uterina ausente, exame especular evidencia líquido amniótico saindo pelo orifício externo do colo uterino. Toque vaginal: colo impérvio, grosso e posterior. A cardiotocografia está abaixo. Diante do caso apresentado, a melhor conduta é:
RPMO 35s5d com colo desfavorável e CTG I: Corticoides + ATB profilático + preparo do colo (misoprostol) para indução.
Em caso de Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO) em gestação de 35 semanas e 5 dias, com feto em bom estado (CTG categoria I) e colo uterino desfavorável, a conduta ideal inclui a administração de corticoterapia para maturação pulmonar, antibioticoterapia profilática e, posteriormente, o preparo do colo com misoprostol para indução do trabalho de parto, visando o parto vaginal.
A Rotura Prematura de Membranas Pré-Termo (RPMO) é definida como a rotura das membranas ovulares antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação. É uma complicação que afeta cerca de 3% das gestações e é responsável por aproximadamente um terço dos partos prematuros. A RPMO aumenta o risco de prematuridade, infecção intra-amniótica (corioamnionite), descolamento prematuro de placenta e compressão de cordão umbilical. O manejo depende da idade gestacional e do estado materno-fetal. No caso de uma gestação de 35 semanas e 5 dias, estamos na fase de pré-termo tardia. A conduta para RPMO nessa idade gestacional envolve um equilíbrio entre prolongar a gestação para otimizar a maturação fetal e evitar complicações infecciosas. A corticoterapia (betametasona ou dexametasona) é indicada para maturação pulmonar fetal até 36 semanas e 6 dias. A antibioticoterapia profilática é recomendada para prolongar o período de latência e prevenir infecções, incluindo a profilaxia para GBS. A avaliação da vitalidade fetal com cardiotocografia é essencial para guiar a conduta. Se a cardiotocografia for categoria I (reassuradora) e o colo uterino estiver desfavorável (impérvio, grosso e posterior), a conduta mais apropriada é o preparo cervical com misoprostol, seguido pela indução do trabalho de parto. O misoprostol é um análogo da prostaglandina E1 que promove o amadurecimento cervical, tornando-o mais favorável para a indução. A indução do trabalho de parto é geralmente preferida ao manejo expectante prolongado nesta idade gestacional, devido ao risco crescente de infecção e à maturidade fetal já avançada. A cesariana é reservada para indicações obstétricas específicas, como sofrimento fetal ou falha de progressão do trabalho de parto.
A conduta inicial para RPMO em pré-termo tardia inclui internação, avaliação da vitalidade fetal (cardiotocografia), administração de corticoterapia para maturação pulmonar (se não realizada previamente) e antibioticoterapia profilática para prolongar a latência e prevenir infecção por Streptococcus agalactiae (GBS).
A indução do trabalho de parto é indicada na RPMO em gestações pré-termo tardias após a administração de corticoides, desde que a vitalidade fetal seja tranquilizadora e não haja sinais de infecção. Com um colo uterino impérvio, grosso e posterior (desfavorável), o preparo cervical com agentes como o misoprostol é essencial antes de iniciar a indução com ocitocina.
A cardiotocografia é fundamental para avaliar a vitalidade fetal. Uma cardiotocografia categoria I (reassuradora) indica bem-estar fetal e permite um manejo mais conservador, com tempo para corticoterapia e preparo cervical. Uma CTG categoria II ou III pode indicar sofrimento fetal e exigir intervenção mais imediata, como a cesariana, dependendo do quadro clínico completo.
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