Amniorrexe Prematura: Diagnóstico e Conduta Obstétrica

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

A.D.S. 32 anos, secundigesta, com 31 semanas pela amenorreia referida e coerente com ultrassonografia de primeiro trimestre, com um parto normal anterior, chega ao PSGO com queixa de perda de líquido vaginal há 3 horas. Ao exame: corada, hidratada, P.A: 100 mmHg x 60 mmHg, FC: 80 bpm. Dinâmica uterina ausente, FC fetal: 144 bpm. Toque: colo uterino impérvio, grosso e posteriorizado. Especular: saída de líquido claro sem grumos pelo orifício externo do colo. Cardiotocografia mostra feto ativo (padrão tranquilizador). Em relação ao caso clínico, assinale a alternativa que contém respectivamente o diagnóstico e a conduta obstétrica correta para o caso.

Alternativas

  1. A) Trabalho de parto prematuro; condução do parto.
  2. B) Amniorrexe precoce; conduta expectante.
  3. C) Trabalho de parto pré-termo; inibição do trabalho de parto.
  4. D) Amniorrexe prematura; conduta expectante.
  5. E) Corioamnionite subclínica; condução do trabalho de parto.

Pérola Clínica

RPMPT < 34 semanas sem infecção/TP: conduta expectante + corticoide + ATB + MgSO4 (neuroproteção).

Resumo-Chave

Em casos de rotura prematura de membranas pré-termo (RPMT) antes de 34 semanas, a conduta expectante é preferível, desde que não haja sinais de infecção (corioamnionite) ou trabalho de parto ativo. O objetivo é prolongar a gestação para permitir a maturação pulmonar fetal com corticosteroides e oferecer neuroproteção com sulfato de magnésio, além de antibioticoprofilaxia para prevenir infecção.

Contexto Educacional

A amniorrexe prematura (ou rotura prematura de membranas - RPM) é a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre antes de 37 semanas de gestação, é denominada rotura prematura de membranas pré-termo (RPMT), afetando cerca de 2-4% das gestações. É uma das principais causas de parto prematuro e morbimortalidade neonatal, com riscos de infecção, hipoplasia pulmonar e compressão de cordão. O diagnóstico é clínico, com a paciente relatando perda de líquido vaginal, e confirmado por exame especular. A diferenciação entre RPMT e trabalho de parto prematuro é crucial, pois a conduta difere. A fisiopatologia envolve fatores como infecções cervicovaginais, polidramnio, sangramento vaginal e deficiências nutricionais. A suspeita deve ser alta em qualquer gestante com queixa de perda de líquido. Em gestações entre 24 e 34 semanas, a conduta é geralmente expectante, visando prolongar a gestação. Isso inclui internação, monitorização fetal e materna, antibioticoprofilaxia (para prolongar o período de latência e prevenir infecção), corticosteroides para maturação pulmonar fetal e sulfato de magnésio para neuroproteção. A interrupção da gestação é considerada em caso de infecção (corioamnionite), sofrimento fetal ou quando os riscos de prolongar a gestação superam os benefícios.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para amniorrexe prematura?

O diagnóstico de amniorrexe prematura é feito pela história de perda de líquido vaginal, confirmado por exame especular com visualização de líquido amniótico fluindo do colo, teste de nitrazina positivo (pH alcalino) ou teste de fern positivo (cristalização em folha de samambaia).

Qual a conduta inicial para uma gestante com amniorrexe prematura pré-termo (RPMT) sem sinais de infecção?

A conduta inicial para RPMT antes de 34 semanas, sem sinais de infecção ou trabalho de parto ativo, é expectante. Inclui internação, repouso, antibioticoprofilaxia, corticosteroides para maturação pulmonar fetal e sulfato de magnésio para neuroproteção fetal.

Quando a interrupção da gestação é indicada na amniorrexe prematura?

A interrupção da gestação é indicada na presença de corioamnionite (infecção intra-amniótica), sofrimento fetal, descolamento prematuro de placenta, ou quando a gestação atinge 34 semanas ou mais, devido ao aumento do risco de complicações com a prolongação.

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