HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Mulher de 27 anos de idade, primigesta, com idade gestacional de 39 semanas, comparece à unidade de emergência obstétrica com queixa de perda de líquido por via vaginal nas últimas 14 horas. Ao exame físico, observa-se altura uterina de 33cm, com dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal e batimento cardíaco fetal de 143bpm. O exame especular evidenciou líquido claro com grumos exteriorizando por orifício externo do colo uterino. Ao toque vaginal, apresentou colo grosso, posterior e impérvio. Cardiotocografia fetal categoria I. Qual é o diagnóstico e qual a conduta que deve ser adotada neste momento, além da internação hospitalar da paciente?
RPMO a termo com CTG categoria I e colo desfavorável → indução de parto para reduzir risco de infecção.
A rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) a termo, mesmo com colo desfavorável, indica a indução do parto. A conduta expectante aumenta o risco de corioamnionite sem benefício significativo para o feto a termo, enquanto a cesariana não é a primeira opção se não houver outras indicações.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) a termo é definida como a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto, em gestações com 37 semanas ou mais. É uma condição comum, afetando cerca de 8-10% das gestações a termo, e representa um fator de risco significativo para infecção intra-amniótica (corioamnionite) e neonatal. O reconhecimento precoce e a conduta adequada são cruciais para otimizar os desfechos maternos e perinatais. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de perda de líquido vaginal e confirmado pela visualização direta do líquido amniótico fluindo do colo uterino ao exame especular. Testes auxiliares como o teste de nitrazina (pH alcalino) ou o teste do 'fern' (cristalização em folha de samambaia) podem ser úteis. A avaliação da vitalidade fetal por cardiotocografia é fundamental para classificar o bem-estar fetal e guiar a conduta. A presença de um colo uterino desfavorável (grosso, posterior, impérvio) não contraindica a indução. A conduta na RPMO a termo, na ausência de contraindicações para o parto vaginal, é a indução do trabalho de parto. A indução precoce, geralmente dentro de 12-24 horas, demonstrou reduzir as taxas de corioamnionite e endometrite pós-parto sem aumentar a taxa de cesarianas. A antibioticoprofilaxia não é rotineiramente recomendada para RPMO a termo sem sinais de infecção. A monitorização materna para sinais de infecção (febre, taquicardia, dor uterina, secreção vaginal fétida) e fetal para sofrimento é essencial durante todo o processo.
O diagnóstico de RPMO a termo é feito pela história de perda de líquido vaginal e confirmado pelo exame especular que evidencia líquido amniótico exteriorizando pelo colo. Testes complementares como o de nitrazina ou fern test podem ser usados, mas a visualização direta é o padrão ouro.
A conduta inicial na RPMO a termo com feto viável e sem sinais de infecção é a indução do parto. A espera prolongada aumenta o risco de corioamnionite e outras complicações infecciosas para mãe e feto.
A cesariana não é a conduta de rotina na RPMO a termo. Ela é reservada para indicações obstétricas habituais, como falha de indução, sofrimento fetal agudo, apresentação anômala ou outras contraindicações ao parto vaginal.
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