FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Primigesta com 32 semanas de gestação procura pronto-socorro com queixa de perda de líquido. Ao exame: saída ativa de líquido claro com grumos finos. A melhor conduta é:
RPMO pré-termo (<34s) → Internação, corticoprofilaxia, ATB profilático, neuroproteção (se <32s).
Em caso de Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) pré-termo (antes de 34 semanas), a conduta padrão inclui internação hospitalar, corticoprofilaxia para maturação pulmonar fetal e antibioticoprofilaxia para prevenir infecção. A neuroproteção com sulfato de magnésio também é considerada se a idade gestacional for inferior a 32 semanas.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) pré-termo, definida como a rotura das membranas antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação, é uma complicação obstétrica significativa. Ela aumenta o risco de prematuridade, infecção materna (corioamnionite) e fetal, prolapso de cordão e descolamento prematuro de placenta. O diagnóstico é clínico, confirmado pela visualização do líquido amniótico ou testes específicos. A conduta na RPMO pré-termo depende da idade gestacional. Em gestações entre 24 e 34 semanas, a abordagem expectante é geralmente preferida, com internação hospitalar. Os pilares do manejo incluem a corticoprofilaxia (geralmente duas doses de betametasona ou dexametasona) para acelerar a maturação pulmonar fetal e a antibioticoprofilaxia (ex: ampicilina + eritromicina) para prolongar o período de latência e reduzir o risco de infecção. Além disso, a neuroproteção fetal com sulfato de magnésio é recomendada para gestações com menos de 32 semanas, visando reduzir o risco de paralisia cerebral. A monitorização rigorosa para sinais de infecção (febre, taquicardia materna, dor uterina, leucocitose) é essencial. A tocólise é geralmente contraindicada, e o parto é indicado se houver sinais de infecção, sofrimento fetal ou trabalho de parto ativo.
A corticoprofilaxia (com betametasona ou dexametasona) é crucial para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.
A antibioticoprofilaxia é utilizada para prolongar o período de latência entre a rotura das membranas e o parto, além de reduzir o risco de corioamnionite materna e infecção neonatal, melhorando os desfechos perinatais.
A tocólise é geralmente contraindicada na RPMO pré-termo, pois não há evidências de benefício claro e pode aumentar o risco de infecção. Ela pode ser considerada em casos muito selecionados, por curto período, para permitir a administração de corticoides.
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