RPMO e EGB: Manejo na Gestação de 35 Semanas

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020

Enunciado

Primigesta com 35 semanas de gestação única procurou atendimento por perda de líquido por via vaginal. No pré-natal, apresentara episódio de infecção urinária por Streptococcus agalactiae do grupo B (EGB) , sem outras intercorrências. Ao exame, o feto encontrava-se cefálico, com batimentos cardiofetais de 120 bpm e dinâmica uterina ausente; o exame especular mostrou pequena quantidade de líquido claro (coletado em fundo vaginal) e colo conservado. A avaliação do bem-estar fetal é tranquilizadora nesse momento. Que conduta, dentre as abaixo, deve ser adotada?

Alternativas

  1. A)  Induzir o parto com ocitocina e indicar profilaxia para EGB quando a paciente entrar em trabalho de parto.
  2. B)  Induzir o parto com misoprostol vaginal e indicar o início imediato de profilaxia para EGB.
  3. C)  Administrar corticosteroide parenteral e realizar tratamento conservador.
  4. D)  Administrar corticosteroide parenteral e realizar cesariana.
  5. E)  Realizar profilaxia para EGB e cesariana após 4 horas.

Pérola Clínica

RPMO a termo ou próximo do termo com EGB positivo → indução do parto + profilaxia EGB imediata.

Resumo-Chave

Em caso de RPMO em gestação a termo ou próximo do termo (35 semanas), a conduta é induzir o parto. Se houver histórico de EGB positivo, a profilaxia antibiótica deve ser iniciada imediatamente para prevenir sepse neonatal.

Contexto Educacional

A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) é uma complicação obstétrica comum, definida como a ruptura das membranas antes do início do trabalho de parto. O manejo depende da idade gestacional, sendo crucial para prevenir infecções maternas e fetais, como a sepse neonatal por Streptococcus agalactiae do grupo B (EGB). Em gestações de 35 semanas, a conduta para RPMO é geralmente a indução do parto. Nesta idade gestacional, o feto já possui maturidade pulmonar suficiente, e o risco de infecção ascendente (corioamnionite) e sepse neonatal supera os benefícios de uma conduta expectante. A avaliação do bem-estar fetal é essencial antes da decisão. Se a paciente tiver histórico de cultura positiva para EGB, a profilaxia antibiótica intraparto (geralmente penicilina G ou ampicilina) deve ser iniciada imediatamente após o diagnóstico de RPMO, independentemente do início do trabalho de parto, para reduzir o risco de transmissão vertical. Corticosteroides para maturação pulmonar não são indicados em 35 semanas.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para RPMO em gestação de 35 semanas?

Em gestações de 35 semanas com RPMO, a conduta é a indução do parto, pois os riscos de infecção superam os benefícios de prolongar a gestação, especialmente se o bem-estar fetal estiver tranquilizador.

Quando indicar profilaxia para Streptococcus agalactiae do grupo B (EGB) na RPMO?

A profilaxia para EGB deve ser iniciada imediatamente em casos de RPMO com cultura positiva prévia para EGB, ou em situações de risco, para prevenir a transmissão vertical e sepse neonatal.

Por que não se administra corticosteroide em 35 semanas com RPMO?

O corticosteroide é indicado para maturação pulmonar fetal em gestações pré-termo, geralmente antes de 34 semanas. Em 35 semanas, os benefícios são mínimos e os riscos de prolongar a gestação com membranas rotas são maiores.

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