SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022
Paciente 26 anos, na 30ª semana, secundigesta e um aborto anterior, chega à emergência obstétrica, referindo perda de líquido há 19 horas. Após anamnese detalhada do médico assistente, paciente refere que a perda foi súbita de um líquido transparente, cheirando à água sanitária, pouco aquecido, escorrendo pelas pernas e se acumulando do chão. Negava outras queixas. Ao exame clínico, temperatura axilar de 38,5oC e frequência cardíaca materna de 114 bpm. Ao exame obstétrico: dinâmica uterina ausente, porém útero reativo, toque vaginal não realizado e ausente líquido amniótico pelo exame especular e manobra de Valsava. Realizada ultrassonografia a qual foi normal (líquido amniótico e vitalidade fetal). Sobre esse quadro, assinale a alternativa CORRETA.
RPMO com sinais de infecção (febre, taquicardia) → confirmar diagnóstico e interromper gestação, evitando toque vaginal excessivo.
A paciente apresenta quadro sugestivo de Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) com sinais de infecção (febre, taquicardia materna), o que configura corioamnionite. Nesses casos, a prioridade é confirmar a RPMO com testes específicos e, uma vez confirmada a infecção, a interrupção da gestação é a conduta indicada, preferencialmente evitando toques vaginais desnecessários para não agravar a infecção. A ultrassonografia normal para líquido amniótico é um dado contraditório com a perda referida e a ausência de líquido ao especular, sugerindo que a USG inicial pode ter sido mal interpretada ou que o volume de líquido amniótico residual ainda era suficiente para ser considerado "normal" em uma avaliação rápida. No entanto, a febre e taquicardia são os sinais mais alarmantes.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) é definida como a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre antes de 37 semanas, é chamada de RPMO pré-termo (RPMO-PT). A principal complicação da RPMO-PT é a infecção intra-amniótica, ou corioamnionite, que pode levar a sepse materna e fetal, além de aumentar o risco de parto prematuro e outras morbidades neonatais. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para o prognóstico materno-fetal. O quadro clínico de perda súbita de líquido transparente, com odor característico e sinais de infecção materna (febre, taquicardia), é altamente sugestivo de RPMO complicada por corioamnionite. A ausência de líquido amniótico ao exame especular e manobra de Valsava reforça a suspeita. Embora a ultrassonografia tenha sido relatada como "normal" para líquido amniótico, os sinais de infecção materna são prioritários e não podem ser ignorados. A propedêutica complementar para confirmar a RPMO (teste de Nitrazina, cristalização, ou testes imunocromatográficos como Kittrich/Iannetta) é fundamental. Uma vez confirmada a RPMO e, principalmente, a presença de corioamnionite, a conduta é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, para evitar a progressão da infecção. O toque vaginal deve ser evitado ou minimizado para reduzir o risco de introdução de patógenos. A via de parto preferencial é a vaginal, com indução do trabalho de parto, reservando a cesariana para indicações obstétricas. O uso de antibióticos de amplo espectro é iniciado imediatamente para tratar a infecção.
Os sinais de corioamnionite incluem febre materna (temperatura > 38°C), taquicardia materna (> 100 bpm), taquicardia fetal (> 160 bpm), dor uterina à palpação e secreção vaginal purulenta. A presença de febre e taquicardia materna já são fortes indicativos.
O diagnóstico de RPMO é confirmado pela visualização direta de líquido amniótico fluindo pelo orifício cervical ao exame especular, ou por testes complementares como o teste de Nitrazina (pH alcalino) e o teste de cristalização (padrão de folha de samambaia). Testes imunocromatográficos (Kittrich, Iannetta) para proteínas específicas do líquido amniótico também são úteis.
Em caso de RPMO com corioamnionite, a conduta é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, devido ao risco de sepse materna e fetal. O parto deve ser induzido, e a via vaginal é preferível, reservando a cesariana para indicações obstétricas.
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