UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019
Paciente ANC, 28 anos, Gesta II, Para I (cesárea), chega ao pronto atendimento com idade gestacional de 30 semanas, queixando-se de perda de líquido claro de moderada quantidade que se iniciara há duas horas. Nega dor e refere movimentação fetal normal. Ao exame físico, apresenta PA 110 x 70 mmHg, temperatura axilar 36,3C, frequência cardíaca 98 bpm. Ao exame obstétrico, apresenta feto único, longitudinal, dorso à esquerda, FCF 132 bpm. Ao exame especular, saída de líquido amniótico claro em moderada quantidade, confirmando o diagnóstico de amniorrexe prematura. A paciente foi internada e, após realizar exames, afastou-se infecção, foi observada boa vitalidade fetal e iniciou-se ciclo de corticoide para maturidade pulmonar. Diante do exposto, qual a conduta para o caso?
RPMO 30 semanas sem infecção → vigilância rigorosa e parto programado 36 semanas.
Em casos de rotura prematura de membranas (RPMO) em idade gestacional pré-termo (entre 24 e 34 semanas), sem sinais de infecção ou sofrimento fetal, a conduta é expectante. Isso inclui monitorização rigorosa para infecção e bem-estar fetal, com o objetivo de prolongar a gestação até a maturidade pulmonar e reduzir riscos de prematuridade extrema.
A rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) é uma condição obstétrica comum, definida pela ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre em gestações pré-termo, como no caso apresentado (30 semanas), o manejo torna-se complexo, buscando equilibrar os riscos de prematuridade com os riscos de infecção intrauterina. A conduta expectante é a preferida em gestações entre 24 e 34 semanas, na ausência de infecção ou sofrimento fetal, visando prolongar a gestação para permitir a maturação pulmonar fetal. O manejo expectante envolve internação hospitalar, administração de corticosteroides para acelerar a maturidade pulmonar fetal (geralmente um ciclo de betametasona ou dexametasona), e profilaxia antibiótica para reduzir o risco de corioamnionite e prolongar o período de latência. A monitorização materna inclui a avaliação de sinais vitais, contagem de leucócitos, PCR e sinais clínicos de infecção (febre, dor abdominal, taquicardia). A vigilância fetal envolve cardiotocografia e ultrassonografia para avaliar o volume de líquido amniótico e o bem-estar fetal. A programação do parto na RPMO pré-termo sem complicações geralmente ocorre por volta de 34 a 36 semanas, quando os riscos da prematuridade se tornam menores do que os riscos de prolongar a gestação com membranas rotas. A alternativa D, com hemograma e PCR a cada dois dias, ultrassonografia quinzenal e programação do parto para 36 semanas, reflete uma abordagem de monitorização adequada e um tempo de gestação razoável para o parto, considerando os benefícios da maturação fetal e os riscos de infecção.
A conduta inicial na RPMO pré-termo, sem sinais de infecção ou sofrimento fetal, é expectante, incluindo internação, corticoterapia para maturidade pulmonar, antibióticos para profilaxia de infecção e monitorização rigorosa materno-fetal.
Prolongar a gestação permite que o feto ganhe mais tempo para o desenvolvimento e maturação de órgãos vitais, especialmente os pulmões, reduzindo significativamente a morbimortalidade associada à prematuridade extrema.
Os principais riscos da conduta expectante são o desenvolvimento de corioamnionite (infecção intra-amniótica), descolamento prematuro de placenta e compressão do cordão umbilical devido à oligodramnia. Por isso, a monitorização é crucial.
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