UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
Paciente 20 anos, primigesta de 30 semanas, chega ao Pronto Atendimento da Maternidade, relatando saída de líquido claro vaginal, de início há poucas horas. Nota-se paciente corada, afebril, PA 110 mmHg x 50 mmHg, pulso de 84 BPM, frequência cardíaca fetal de 135 BPM, exame abdominal evidencia redução no líquido amniótico e dinâmica uterina sem contrações em 10 minutos. Ao exame especular nota-se vagina rósea, rugosa, colo com orifício externo puntiforme, e presença de pequena quantidade de líquido transparente coletado no fundo de saco posterior com pH elevado ao teste com papel de nitrazina. Toque colo grosso, amolecido, posteriorizado e impérvio.Com base nas informações acima, qual a hipótese diagnóstica e a conduta respectiva mais adequada?
RPMO pré-termo (<37 sem) sem sinais de infecção/trabalho de parto → Internação para conduta expectante, corticoide e ATB.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) pré-termo, como no caso de 30 semanas, exige internação para conduta expectante. O objetivo é prolongar a gestação, administrando corticosteroides para maturação pulmonar fetal e antibióticos para profilaxia de infecção e prolongamento da latência, monitorando mãe e feto.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) é definida como a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre antes de 37 semanas de gestação, é classificada como RPMO pré-termo (PPROM), uma das principais causas de parto prematuro e morbimortalidade perinatal. O diagnóstico é confirmado pela história de perda de líquido vaginal, exame especular que revela líquido amniótico no fundo de saco e testes como o de nitrazina (pH elevado) ou cristalização ("teste da samambaia"). O manejo da RPMO pré-termo depende da idade gestacional e da presença de complicações. Em gestações entre 24 e 34 semanas, a conduta expectante é geralmente preferida, visando prolongar a gestação para permitir a maturação fetal. Isso inclui internação hospitalar, monitorização rigorosa materna (sinais de infecção) e fetal (vitalidade, volume de líquido amniótico), administração de corticosteroides para maturação pulmonar e antibioticoterapia para profilaxia de infecção e prolongamento do período de latência. A indução do parto é reservada para situações de risco, como sinais de corioamnionite, sofrimento fetal, descolamento prematuro de placenta ou quando a gestação atinge um ponto em que os riscos da prematuridade superam os riscos da conduta expectante (geralmente a partir de 34-37 semanas, dependendo das diretrizes locais). A escolha da conduta deve sempre ponderar os riscos e benefícios para a mãe e o feto, buscando o melhor desfecho possível.
Os principais riscos incluem infecção intra-amniótica (corioamnionite), trabalho de parto prematuro, descolamento prematuro de placenta, compressão do cordão umbilical e complicações relacionadas à prematuridade fetal, como síndrome do desconforto respiratório.
Corticosteroides (betametasona ou dexametasona) são administrados para acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir o risco de síndrome do desconforto respiratório. Antibióticos são usados para prolongar o período de latência e reduzir o risco de corioamnionite e sepse neonatal.
A indução do parto é indicada se houver sinais de infecção intra-amniótica (corioamnionite), sofrimento fetal, descolamento prematuro de placenta ou se a gestação atingir a idade gestacional de termo (geralmente 34-37 semanas, dependendo do protocolo).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo