FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021
Primigesta, 25 anos, idade gestacional de 31 semanas e 2 dias, chega à emergência do Hospital dos Plantadores de Cana relatando perda de líquido claro via vaginal em quantidade moderada há 2 horas. Refere redução da movimentação fetal. Nega outras queixas. Ao exame físico: bom estado geral, hipocorada (1+/4+), hidratada, eupnéica. PA = 100 x 60 mmHg; temperatura axilar = 38,0°C; FC = 105 bpm; SO₂ = 98; altura uterina = 30 cm; BCF = 165 bpm; movimentação fetal não perceptível; atividade uterina ausente em 10 minutos de observação; tônus normal. Exame ginecológico: visualizado líquido claro em fundo de saco vaginal. Teste de cristalização: positivo. Exames complementares: cardiotocografia: traçado com taquicardia leve, ondulatório, presença de aceleração transitória. Hemoglobina 10,5 g/dl; leucócitos totais 17,000 (8 bastões, 78 segmentados), EAS: 2 leucócitos por campo, nitrito negativo. Considerando o caso acima, qual a conduta a ser adotada:
RPMO pré-termo + sinais de infecção (febre, taquicardia fetal/materna, leucocitose) → Corioamnionite = ATB, sulfatação, resolução imediata da gestação.
A paciente apresenta Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) pré-termo com sinais de corioamnionite (febre, taquicardia fetal, leucocitose com desvio). Nesses casos, a conduta é a interrupção da gestação, associada a antibióticos para tratar a infecção e sulfato de magnésio para neuroproteção fetal.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) pré-termo é uma complicação obstétrica comum, definida pela ruptura das membranas antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação. A principal preocupação na RPMO é o risco de infecção intra-amniótica (corioamnionite), prematuridade e suas consequências. O diagnóstico é feito pela história de perda de líquido, exame especular com visualização do líquido e testes como cristalização ou pH vaginal. No caso apresentado, a paciente com RPMO pré-termo (31 semanas e 2 dias) exibe múltiplos sinais de corioamnionite: febre (38,0°C), taquicardia materna (105 bpm), taquicardia fetal (165 bpm) e leucocitose materna com desvio à esquerda (17.000 leucócitos, 8 bastões). A presença de corioamnionite contraindica a conduta expectante e exige a interrupção da gestação. A conduta para corioamnionite inclui a administração de antibióticos de amplo espectro para tratar a infecção e profilaxia de sepse neonatal precoce. Além disso, devido à idade gestacional, a sulfatação com sulfato de magnésio é indicada para neuroproteção fetal. A indução do trabalho de parto é a via preferencial, a menos que haja contraindicações obstétricas para o parto vaginal. Corticoides para maturidade pulmonar não são indicados na presença de infecção ativa, pois o benefício é superado pelo risco de prolongar a gestação infectada.
Os sinais incluem febre materna (>38°C), taquicardia materna (>100 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), dor uterina e/ou sensibilidade, e leucocitose materna com desvio à esquerda.
A corioamnionite é uma infecção intra-amniótica grave que aumenta o risco de sepse materna e fetal, hemorragia pós-parto e outras complicações. A interrupção é necessária para controlar a infecção e proteger a mãe e o feto.
O sulfato de magnésio é utilizado para neuroproteção fetal em gestações pré-termo (geralmente entre 24 e 32 semanas) com risco iminente de parto, reduzindo o risco de paralisia cerebral e outras morbidades neurológicas.
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