RPMO a Termo: Diagnóstico e Conduta Adequada

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 32 anos, gestante de 36 semanas pela DUM, dá entrada na emergência referindo perda moderada de liquido claro pela vagina há cerca de 5 horas. Nega dores abdominais. Relata que na sua gestação anterior teve perda de liquido no final da gestação. A ausculta do BCF estava normal (144 bpm). Qual a conduta mais adequada para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Realizar toque vaginal para percepção e visualização da perda do líquido pela paciente. Internar a paciente; iniciar antibiótico de largo espectro; impedir o nascimento durante 72 horas, para realizar o amadurecimento pulmonar do concepto, com emprego de corticoide e realizar cesariana.
  2. B) Solicitar à paciente que realize manobras de esforços; não visualizando perda líquida pela genitália externa, encerrar o atendimento orientado a paciente para aguardar o início das contrações em regime domiciliar-ambulatorial e retornar para internação quando as contrações se iniciarem.
  3. C) Realizar o toque vaginal e pedir à paciente que faça manobras de valsalva, para visualizar a perda. Internar a paciente na enfermaria de alto risco, sob uso de antibioticoterapia e, após 48 horas, realizar a cesária.
  4. D) Examinar com ajuda do espéculo vaginal em associação com uma pressão no fundo uterino, para melhor visualização da perda líquida. Internar a paciente; induzir o parto, com uso de ocitocina intravenosa, associar o uso profilático com antibiótico de amplo espectro durante todo o tempo, até o quinto dia de pós-parto.
  5. E) Internar a paciente na enfermaria de alto risco, com repouso absoluto; realizar leucograma diário, para rastreio de infecção, monitorização com cardiotocografia, perfil biofísico fetal diário e ultrassonografia diária, para determinação do ILA; a gravidez poderá ser interrompida, se houver sinal de infecção.

Pérola Clínica

RPMO a termo (≥37 sem): confirmar com espéculo + manobras, internar, induzir parto com ocitocina e iniciar antibioticoprofilaxia.

Resumo-Chave

Em gestantes a termo com suspeita de RPMO, a confirmação diagnóstica deve ser feita por exame especular, evitando o toque vaginal inicial. Uma vez confirmada, a conduta é a indução do parto para reduzir o risco de infecção materno-fetal, associada à profilaxia antibiótica.

Contexto Educacional

A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) é definida como a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre a termo (≥37 semanas de gestação), a principal preocupação é o risco de infecção materno-fetal, como a corioamnionite e a sepse neonatal. A história de perda de líquido claro pela vagina é o principal sintoma, e a confirmação diagnóstica é fundamental para a conduta adequada. O diagnóstico de RPMO é estabelecido preferencialmente pela visualização direta do líquido amniótico escoando pelo colo uterino durante o exame com espéculo estéril. Manobras como a de Valsalva ou a compressão do fundo uterino podem auxiliar na visualização. É crucial evitar o toque vaginal antes da confirmação, pois pode aumentar o risco de infecção. Testes complementares como o teste da nitrazina (que detecta pH alcalino do líquido amniótico) e o teste do fern (cristalização do líquido amniótico) podem ser úteis. Uma vez confirmada a RPMO a termo, a conduta mais adequada é a internação da paciente e a indução do trabalho de parto, geralmente com ocitocina intravenosa, para acelerar o nascimento e minimizar o período de latência, reduzindo o risco de infecção. A antibioticoprofilaxia de amplo espectro é recomendada durante o trabalho de parto e até o pós-parto imediato para prevenir a corioamnionite e a sepse neonatal. Não há benefício em prolongar a gestação em casos de RPMO a termo.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO)?

O diagnóstico é feito principalmente pela visualização direta do líquido amniótico fluindo pelo orifício cervical durante o exame especular, que pode ser facilitado por manobras de Valsalva ou compressão do fundo uterino. Testes complementares como o teste da nitrazina ou fern test podem ser utilizados.

Qual a conduta para RPMO em gestantes a termo (≥37 semanas)?

A conduta padrão é a internação e a indução do parto, geralmente com ocitocina, para reduzir o risco de corioamnionite e outras complicações infecciosas. A profilaxia antibiótica também é indicada.

Por que a profilaxia antibiótica é importante na RPMO?

A profilaxia antibiótica é crucial para prevenir infecções maternas (como corioamnionite) e neonatais (como sepse neonatal), que são as principais complicações da RPMO devido à perda da barreira protetora das membranas.

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