Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021
Gestante de 31 semanas comparece a pronto atendimento com queixa de perda de líquido vaginal há 2 horas. Ao exame ginecológico fica evidente rotura de membranas, com saída de líquido claro sem grumos. A vitalidade fetal está preservada e o ultrassom evidencia ILA de 7 cm. A conduta deve ser:
RPMO < 34 semanas: Internar, corticosteroide, ATB profilático e conduta expectante.
Em casos de Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) em gestação pré-termo (<34 semanas), a conduta padrão inclui internação hospitalar, administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal, antibioticoprofilaxia para prevenir infecção e conduta expectante, visando prolongar a gestação.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) é uma complicação obstétrica que ocorre em aproximadamente 3% das gestações, sendo responsável por cerca de um terço dos partos pré-termo. A RPMO pré-termo, antes de 37 semanas, é particularmente desafiadora, pois aumenta significativamente o risco de prematuridade, infecção intra-amniótica (corioamnionite), sepse neonatal e prolapso de cordão. O manejo adequado é crucial para otimizar os resultados maternos e neonatais. Em gestações entre 24 e 34 semanas, como no caso da questão (31 semanas), a conduta expectante é geralmente preferida, desde que não haja sinais de infecção ou sofrimento fetal. Essa conduta inclui internação hospitalar para monitoramento rigoroso, administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal (reduzindo a morbimortalidade neonatal) e antibioticoprofilaxia para prolongar o período de latência e prevenir infecções. O sulfato de magnésio para neuroproteção fetal também deve ser considerado em gestações entre 24 e 32 semanas. A tocolise não é recomendada na RPMO, pois não demonstrou benefício em prolongar a gestação e pode aumentar o risco de infecção. A resolução da gestação é indicada em caso de corioamnionite, sofrimento fetal ou trabalho de parto ativo. Residentes devem dominar esses protocolos para garantir a melhor assistência à gestante e ao feto.
O corticosteroide (betametasona ou dexametasona) é administrado para acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir o risco de síndrome do desconforto respiratório neonatal, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.
A antibioticoprofilaxia é utilizada para prolongar o período de latência (tempo entre a rotura e o parto) e reduzir o risco de infecção intra-amniótica (corioamnionite) e sepse neonatal.
A tocolise é geralmente contraindicada na RPMO, pois não há evidências de benefício em prolongar a gestação e pode aumentar o risco de infecção materna e fetal ao retardar o parto em um ambiente de membranas rompidas.
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