Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Uma gestante de 32 semanas e 5 dias vai ao PSO referindo quadro de perda de líquido pela vagina há cerca de cinco horas, em moderada quantidade, com odor de água sanitária. Nega sangramento vaginal ou dor. Ao exame clínico: sinais vitais sem alterações e afebril. Ao exame especular: não identificado líquido em vagina. Ausência de perda de líquido à manobra de Valsalva. Teste do forro: negativo. Com base nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta corretamente o exame de maior sensibilidade e especificidade na exclusão do diagnóstico de rotura prematura de membranas ovulares:
PAMG-1 (Amnisure) = Maior sensibilidade e especificidade para exclusão de RPMO.
Quando o exame físico especular é inconclusivo, a detecção da PAMG-1 destaca-se pela altíssima acurácia, superando testes de pH e cristalização.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) ocorre em cerca de 10% das gestações e é uma causa importante de morbidade neonatal, especialmente pela prematuridade e risco de corioamnionite. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de perda líquida e visualização direta de líquido amniótico no fórnice vaginal posterior durante o exame especular, muitas vezes acentuada pela manobra de Valsalva. Em casos onde o exame físico é inconclusivo (como na paciente do enunciado), o uso de biomarcadores torna-se essencial. A PAMG-1 apresenta sensibilidade próxima a 99% e especificidade superior a 97%, sendo superior aos testes tradicionais de pH e cristalização. A correta identificação da RPMO evita internações desnecessárias e garante que a conduta adequada (expectante ou interrupção, dependendo da idade gestacional) seja tomada tempestivamente.
A PAMG-1 (alfa-microglobulina-1 placentária) é uma proteína expressa pelas células deciduais da placenta e encontrada em altas concentrações no líquido amniótico. Sua detecção no conteúdo vaginal, através de testes imunocromatográficos (como o Amnisure), é um marcador altamente sensível e específico para a rotura de membranas. Diferente de outros testes, a PAMG-1 não sofre interferência significativa de sangue, sêmen ou infecções vaginais, tornando-se a ferramenta de escolha quando a manobra de Valsalva e o exame especular não confirmam a perda de líquido, permitindo excluir o diagnóstico com segurança em casos duvidosos.
O teste de nitrazina baseia-se na alteração do pH vaginal, que normalmente é ácido (3.8 a 4.5) e torna-se básico (> 7.0) na presença de líquido amniótico. No entanto, sua especificidade é baixa porque diversas outras substâncias podem elevar o pH vaginal, resultando em falsos positivos. Sangue, sêmen, urina, sabões alcalinos e a presença de vaginose bacteriana (que aumenta o pH pela produção de aminas) são causas comuns de erro. Por isso, embora seja um teste rápido e barato, ele não deve ser utilizado como critério único de exclusão ou confirmação em casos de alta suspeição clínica sem evidência direta ao exame especular.
A fibronectina fetal (fFN) é uma 'cola' biológica que mantém o saco gestacional aderido à decídua uterina. Sua presença na secreção vaginal após 22 semanas de gestação é um marcador de risco para parto prematuro, indicando o descolamento das membranas. Embora possa estar presente na RPMO, sua especificidade para o diagnóstico de rotura é menor que a da PAMG-1 ou da IGFBP-1 (proteína ligadora do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1). A fFN é mais utilizada para avaliar o risco de parto prematuro iminente em pacientes com membranas íntegras do que para confirmar a rotura propriamente dita.
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