UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022
Mulher, 34 anos, G4P1C1A2, com idade gestacional de 34 semanas e 5 dias, comparece à consulta de pré-natal com queixa de perda de grande quantidade de líquido por via vaginal há duas horas. Nega febre, sintomas gripais, alterações urinárias e gastrointestinais. Ao exame especular, nota-se saída de líquido cristalino pelo orifício externo do colo. Ao exame físico: bom estado geral, corada, hidratada, afebril, sem alterações nas auscultas cardiopulmonares. Dinâmica uterina ausente, altura uterina 33 cm, BCF 140 bpm, boa movimentação fetal. Útero indolor, sem odor desagradável. Sinais vitais sem alterações.Em relação ao caso, assinale a afirmativa correta.
RPMO: diagnóstico é clínico; >34 semanas, sem trabalho de parto, não necessita corticoide ou sulfato de magnésio.
Em gestações >34 semanas com RPMO e sem sinais de infecção ou trabalho de parto ativo, a conduta expectante é preferível. A corticoterapia e o sulfato de magnésio são reservados para idades gestacionais mais precoces, visando maturação pulmonar e neuroproteção, respectivamente.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) é definida como a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. É uma complicação obstétrica comum, afetando cerca de 3% das gestações a termo e até 20% das gestações pré-termo. Sua importância clínica reside no risco aumentado de infecção intra-amniótica, prematuridade e outras complicações materno-fetais. O diagnóstico da RPMO é eminentemente clínico, baseado na história de perda de líquido vaginal e na visualização direta do líquido amniótico pelo orifício cervical ao exame especular. Testes complementares como o de cristalização (teste do "fern") ou o teste da nitrazina podem auxiliar, mas não são essenciais para o diagnóstico. A suspeita deve surgir em qualquer gestante com queixa de perda líquida vaginal. A conduta na RPMO depende crucialmente da idade gestacional. Em gestações a termo, a indução do parto é geralmente recomendada. Em gestações pré-termo, a conduta é mais complexa: entre 24 e 34 semanas, a corticoterapia para maturação pulmonar fetal e o sulfato de magnésio para neuroproteção são indicados, além de antibioticoprofilaxia. No entanto, após 34 semanas, como no caso da questão, a corticoterapia e o sulfato de magnésio não são rotineiramente recomendados, pois os benefícios para o feto são limitados e os riscos maternos podem ser maiores. A antibioticoprofilaxia ainda pode ser considerada para prolongar a latência e reduzir o risco de infecção.
Os sinais clínicos incluem perda súbita de líquido claro ou amarelado pela vagina, que pode ser contínua ou intermitente. O exame especular pode confirmar a saída de líquido pelo colo uterino.
Em gestantes com RPMO após 34 semanas, a conduta geralmente é expectante, com monitoramento materno e fetal. A indução do parto pode ser considerada, mas corticoterapia e sulfato de magnésio não são rotineiramente indicados.
Após 34 semanas, os benefícios da corticoterapia para maturação pulmonar fetal são mínimos, e o sulfato de magnésio para neuroproteção também tem indicação mais restrita. Os riscos potenciais superam os benefícios nesta idade gestacional.
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