Rotura Prematura de Membranas: Complicações por Idade Gestacional

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023

Enunciado

MSSC, 25 anos, G1P0, idade gestacional de 36 semanas, comparece à emergência referindo umidade excessiva na genitália externa, molhando sua peça íntima há 3 horas. Ao exame especular, observa-se pequena quantidade de líquido claro em fundo de saco posterior da vagina. Exame de cristalização evidencia presença de estruturas que se assemelham à ramificações em folha de samambaia. Qual das complicações abaixo é improvável de ocorrer na gestação acima descrita?

Alternativas

  1. A) Corioamnionite.
  2. B) Compressão do cordão umbilical.
  3. C) Descolamento prematuro da placenta.
  4. D) Hipoplasia pulmonar e deformidade dos membros.

Pérola Clínica

RPM em termo/quase termo: risco de infecção/compressão cordão; hipoplasia pulmonar/deformidades são de RPM pré-termo prolongada.

Resumo-Chave

A paciente apresenta rotura prematura de membranas (RPM) em idade gestacional de 36 semanas. As complicações mais prováveis nesse período são infecção (corioamnionite), compressão do cordão umbilical e, em menor grau, descolamento prematuro da placenta. Hipoplasia pulmonar e deformidades dos membros são complicações de RPM pré-termo prolongada, que não se aplicam a 36 semanas.

Contexto Educacional

A rotura prematura de membranas (RPM) é a ruptura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. É uma condição obstétrica comum, que ocorre em cerca de 10% das gestações a termo e 3% das pré-termo. O diagnóstico é clínico, com a paciente referindo perda de líquido vaginal, e confirmado por exame especular (visualização de líquido no fundo de saco, manobra de Valsalva) e testes complementares como o teste de cristalização (formação de 'folha de samambaia' ao secar o líquido) ou teste de nitrazina (pH alcalino). As complicações da RPM variam significativamente com a idade gestacional e o tempo de rotura. Em gestações a termo ou próximo do termo (como no caso de 36 semanas), as principais preocupações são a infecção intra-amniótica (corioamnionite), compressão ou prolapso do cordão umbilical e, em menor grau, o descolamento prematuro da placenta. A conduta geralmente envolve a indução do parto para reduzir o risco de infecção. Em contraste, em gestações pré-termo, especialmente se a RPM ocorre muito precocemente e o oligo-hidrâmnio é prolongado, as complicações mais graves para o feto incluem hipoplasia pulmonar (desenvolvimento inadequado dos pulmões), deformidades musculoesqueléticas (devido à compressão fetal no útero sem líquido), e restrição de crescimento intrauterino. Portanto, a hipoplasia pulmonar e as deformidades dos membros são improváveis em 36 semanas, pois o desenvolvimento fetal já está avançado e o tempo de exposição ao oligo-hidrâmnio não seria suficiente para causá-las.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da rotura prematura de membranas (RPM)?

Os sinais incluem perda de líquido claro ou amarelado pela vagina, que pode ser contínua ou intermitente, e umidade excessiva na genitália externa. O diagnóstico é confirmado por exame especular e testes como o de cristalização (formação de 'folha de samambaia').

Quais as principais complicações da RPM em gestações a termo ou próximo do termo?

As principais complicações são a corioamnionite (infecção intra-amniótica), compressão do cordão umbilical e, em alguns casos, descolamento prematuro da placenta.

Por que a hipoplasia pulmonar e deformidades dos membros são improváveis na RPM a termo?

Essas complicações ocorrem devido ao oligo-hidrâmnio prolongado em gestações pré-termo, que impede o desenvolvimento pulmonar e o movimento fetal adequado. Em 36 semanas, o desenvolvimento fetal já está avançado, e o tempo de rotura geralmente não é prolongado o suficiente para causar tais problemas.

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