Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
R.F.G., 30 anos, GII PI 1N A0, IG 33 semanas, sem comorbidades, deu entrada no PSO referindo perda de líquido via vaginal em grande quantidade, confirmado pelo exame especular. Nega dor tipo contrações uterinas. Ao toque vaginal: colo 1 polpa, grosso e posterior. Cardiotocografia normal. Ao ultrassom: ILA normal.Frente ao caso, assinale a conduta correta.
RPMO 33 semanas → internação, corticoterapia, monitorização, indução com 34 semanas.
Na rotura prematura de membranas (RPMO) em gestações entre 32 e 34 semanas, a conduta padrão inclui internação hospitalar, administração de corticoterapia para maturação pulmonar fetal, monitorização rigorosa da vitalidade fetal e sinais de infecção, com programação de indução do trabalho de parto ao atingir 34 semanas de idade gestacional.
A rotura prematura de membranas (RPMO) é uma complicação obstétrica comum, definida como a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. O manejo da RPMO depende crucialmente da idade gestacional, sendo um tema de grande relevância para a prática clínica e para provas de residência médica. Em gestações entre 32 e 34 semanas, a conduta é expectante, mas com internação hospitalar e vigilância rigorosa. O objetivo é prolongar a gestação o máximo possível para permitir a maturação fetal, minimizando os riscos de infecção. A corticoterapia é administrada para acelerar a maturação pulmonar fetal, e a antibioticoterapia profilática é indicada para reduzir o risco de corioamnionite e prolongar o período de latência. Após a administração da corticoterapia e atingindo 34 semanas de idade gestacional, a indução do trabalho de parto é geralmente recomendada. Essa abordagem busca equilibrar os benefícios da maturação fetal com os riscos crescentes de infecção e outras complicações associadas à manutenção da gestação com membranas rompidas. Residentes devem dominar esse protocolo para garantir a melhor assistência às pacientes com RPMO.
A corticoterapia (betametasona ou dexametasona) na RPMO tem como objetivo acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência de síndrome do desconforto respiratório neonatal e outras complicações da prematuridade, como hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.
A indução do parto aos 34 semanas na RPMO é uma estratégia para equilibrar os riscos da prematuridade extrema com os riscos de infecção intra-amniótica e outras complicações associadas à latência prolongada da bolsa rota, após a maturação pulmonar fetal ter sido otimizada pela corticoterapia.
Para a mãe, o principal risco é a corioamnionite e sepse. Para o feto, os riscos incluem prematuridade, síndrome do desconforto respiratório, sepse neonatal, prolapso de cordão umbilical e, em casos de oligodrâmnio prolongado, hipoplasia pulmonar e deformidades esqueléticas.
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