RUPREMA: Diagnóstico e Conduta em Gestantes Prematuras

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020

Enunciado

A prematuridade representa um grave problema de saúde pública, sendo a principal causa de morbidade e mortalidade neonatal. Gestante primigesta, 31 semanas, refere perda líquida vaginal abundante, de início súbito, mais precisamente às 15h30 minutos, enquanto trabalhava. Desde aquele momento, até o atendimento na maternidade, indica perda líquida vaginal com odor de ""água sanitária"". Ao exame físico no hospital, os batimentos fetais estavam 148 bpm, contrações ausentes, AFU 31 cm, afebril, pulso 78 bpm, ao exame especular, saída de líquido amniótico pelo OCE (orifício cervical externo). Baseado nas informações anteriores, assinale a alternativa CORRETA sobre qual o diagnóstico e a conduta mais adequada:

Alternativas

  1. A) Trabalho de parto prematuro / Iniciar Nifedipino.
  2. B) RUPREMA (Rotura Prematura das Membranas Amnióticas) / Iniciar Nifedipino.
  3. C) RUPREMA (Rotura Prematura das Membranas Amnióticas) / Prescrever Betametasona.
  4. D) RUPREMA (Rotura Prematura das Membranas Amnióticas) / Cesárea o mais breve possível.
  5. E) Trabalho de Parto Prematuro/ Cesárea o mais breve possível.

Pérola Clínica

RUPREMA em <34 semanas sem infecção → Corticoides para maturação pulmonar fetal.

Resumo-Chave

A perda líquida vaginal com odor de 'água sanitária' e visualização de líquido pelo OCE são altamente sugestivos de RUPREMA. Em gestações entre 24 e 34 semanas, a conduta prioritária, na ausência de sinais de infecção ou sofrimento fetal, é a corticoterapia para maturação pulmonar fetal, visando reduzir a morbimortalidade neonatal.

Contexto Educacional

A Rotura Prematura de Membranas Amnióticas (RUPREMA) é definida como a rotura das membranas antes do início do trabalho de parto, sendo um fator de risco significativo para prematuridade e suas complicações. É uma condição comum na prática obstétrica, afetando cerca de 3% das gestações a termo e até 20% das gestações pré-termo, contribuindo para morbimortalidade neonatal por prematuridade e infecção. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para otimizar os resultados maternos e neonatais. O diagnóstico de RUPREMA é primariamente clínico, baseado na história de perda líquida vaginal e na visualização direta do líquido amniótico. Testes complementares como o teste de nitrazina (pH alcalino) ou teste de cristalização em folha de samambaia podem confirmar a presença de líquido amniótico. A fisiopatologia envolve fatores como infecções cervicovaginais, deficiências nutricionais e fatores genéticos. A suspeita deve ser alta em qualquer gestante que refira perda líquida vaginal, especialmente se associada a odor característico. O tratamento da RUPREMA depende da idade gestacional e da presença de complicações. Em gestações pré-termo (24 a 34 semanas), a conduta conservadora com corticoterapia para maturação pulmonar fetal e antibioticoprofilaxia é padrão, na ausência de corioamnionite ou sofrimento fetal. A tocólise não é rotineiramente indicada, pois pode mascarar o início do trabalho de parto ou prolongar a exposição a riscos. O monitoramento materno e fetal é essencial, buscando sinais de infecção ou comprometimento fetal, que indicariam a necessidade de interrupção da gestação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de Rotura Prematura de Membranas Amnióticas (RUPREMA)?

Os principais sinais incluem perda súbita de líquido vaginal, que pode ser abundante e contínua, com odor característico de 'água sanitária'. Ao exame especular, pode-se observar a saída de líquido amniótico pelo orifício cervical externo.

Qual a conduta inicial em caso de RUPREMA em gestação de 31 semanas?

Em gestações entre 24 e 34 semanas, a conduta inicial prioritária é a administração de corticoesteroides (como Betametasona) para promover a maturação pulmonar fetal, reduzindo o risco de síndrome do desconforto respiratório neonatal. A antibioticoprofilaxia também é indicada para prevenir infecção.

Quando a cesárea é indicada em casos de RUPREMA?

A cesárea não é a conduta inicial em RUPREMA. Ela é reservada para situações específicas, como sofrimento fetal agudo, apresentação anômala que contraindique o parto vaginal, ou falha na progressão do trabalho de parto após a indução, se a idade gestacional permitir o parto.

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