SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2020
Gestante, 26 anos, G2P1A0(parto vaginal = 1), com idade gestacional de 30 semanas, chega na admissão da maternidade referindo perda de líquido na ""calcinha"". Pré-natal com 2 consultas, não portando resultado de exames solicitados na rotina. Exame físico: PA= 110 x 60mm hg, FU = 29cm, BCF = 148 bpm, atividade uterina ausente. Exame especular: colo aparentemente dilatado para uma polpa digital, com saída de líquido claro sem grumos pelo canal cervical. A conduta é:
RPMO em <34 semanas: Internar, corticosteroides para maturação pulmonar e ATB profilaxia para EGB.
Diante de uma rotura prematura de membranas (RPMO) em gestação pré-termo (30 semanas), a conduta inicial visa prolongar a gestação e prevenir complicações. Isso inclui internação hospitalar, administração de corticosteroides para acelerar a maturação pulmonar fetal e antibioticoprofilaxia para prevenir infecções maternas e fetais, especialmente contra o Estreptococo do Grupo B (EGB), que é uma causa comum de sepse neonatal.
A rotura prematura de membranas (RPMO) é definida como a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre em gestações pré-termo, como no caso de 30 semanas, representa um desafio obstétrico significativo devido aos riscos aumentados de prematuridade e infecção. A conduta adequada é crucial para otimizar os resultados maternos e neonatais, e o residente deve estar familiarizado com os protocolos. O diagnóstico de RPMO é primariamente clínico, baseado na história de perda de líquido vaginal e na visualização direta do líquido amniótico fluindo do colo uterino ao exame especular. Uma vez confirmado o diagnóstico em uma gestação pré-termo (especialmente entre 24 e 34 semanas), a internação hospitalar é mandatória. O manejo conservador visa prolongar a gestação para permitir a maturação fetal, enquanto se monitora de perto sinais de infecção ou trabalho de parto. As principais intervenções incluem a administração de corticosteroides (betametasona ou dexametasona) para acelerar a maturação pulmonar fetal, reduzindo a incidência da síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido e outras complicações da prematuridade. Além disso, a antibioticoprofilaxia é essencial para prevenir a corioamnionite (infecção intra-amniótica) e a sepse neonatal. O esquema antibiótico deve cobrir o Estreptococo do Grupo B (EGB), um patógeno comum e grave para o recém-nascido, e outros microrganismos que podem ascender do trato genital. Tocolíticos, como a nifedipina, não são rotineiramente indicados na RPMO sem trabalho de parto ativo, pois não prolongam significativamente a gestação e podem mascarar sinais de infecção. A indução do trabalho de parto só é considerada após 34 semanas ou em caso de complicações como corioamnionite ou sofrimento fetal.
O diagnóstico de RPMO é feito pela história clínica de perda de líquido vaginal, associada ao exame especular que revela a saída de líquido amniótico pelo orifício cervical. Testes complementares como o teste de nitrazina (pH alcalino) ou o teste da cristalização (sinal de samambaia) podem confirmar a presença de líquido amniótico.
Os corticosteroides (betametasona ou dexametasona) são cruciais na RPMO pré-termo, especialmente entre 24 e 34 semanas, para acelerar a maturação pulmonar fetal. Isso reduz significativamente a incidência e gravidade da síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.
A antibioticoprofilaxia é indicada na RPMO para prevenir infecções maternas (corioamnionite) e fetais/neonatais (sepse). O esquema geralmente cobre o Estreptococo do Grupo B (EGB), um patógeno comum que pode causar sepse neonatal grave, além de outros microrganismos que podem ascender do trato genital.
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