CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Com relação à rotura da membrana de Descemet associada ao trauma de parto, é correto afirmar:
Trauma de parto → Roturas de Descemet verticais/oblíquas e unilaterais (olho esquerdo > direito).
A compressão pelo fórceps durante o parto causa roturas verticais na Descemet, tipicamente no olho esquerdo devido à apresentação fetal mais comum (occipito-esquerda anterior).
A rotura da membrana de Descemet associada ao trauma de parto é uma causa importante de opacidade corneana neonatal. O quadro clínico inicial apresenta-se com edema de córnea difuso e unilateral logo após o nascimento, muitas vezes acompanhado de sinais externos de trauma periocular (equimoses ou marcas do fórceps). Fisiopatologicamente, a Descemet é menos elástica que o estroma corneano, rompendo-se sob estresse mecânico agudo. Diferente do glaucoma congênito, o diâmetro corneano e a pressão intraocular costumam estar normais. O diagnóstico diferencial preciso é vital para evitar cirurgias de glaucoma desnecessárias e para iniciar precocemente a reabilitação visual, visando mitigar o impacto do astigmatismo induzido.
A maior incidência de acometimento do olho esquerdo em traumas de parto por fórceps está relacionada à mecânica obstétrica. A apresentação fetal mais comum é a Occipito-Esquerda Anterior (OEA). Nesta posição, o olho esquerdo do recém-nascido fica posicionado contra o promontório sacral materno, tornando-o mais vulnerável à compressão direta pelas pás do fórceps durante as manobras de extração. Essa compressão mecânica deforma o globo ocular e causa o estiramento e consequente rotura da membrana de Descemet.
A diferenciação é baseada na morfologia e orientação das lesões. No trauma de parto, as roturas da membrana de Descemet são tipicamente verticais ou oblíquas, unilaterais e não apresentam relação direta com o aumento da pressão intraocular (PIO). Já as estrias de Haab, características do glaucoma congênito primário, resultam do estiramento da córnea devido à buftalmia (aumento do globo ocular pela PIO alta); elas tendem a ser horizontais ou curvilíneas (concêntricas ao limbo) e frequentemente são bilaterais.
Embora o edema de córnea inicial causado pela rotura da Descemet costume regredir espontaneamente em semanas, o trauma deixa sequelas permanentes. A principal delas é o astigmatismo irregular alto, onde o meridiano mais curvo geralmente é paralelo às linhas de rotura. Além disso, essas crianças apresentam um risco elevado de ambliopia anisometrópica e estrábica. Portanto, o manejo requer correção óptica precoce com óculos ou lentes de contato e, muitas vezes, terapia de oclusão para tratar a ambliopia.
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