Manejo da Rotura de Cápsula Posterior na Facoemulsificação

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008

Enunciado

Durante uma cirurgia de facoemulsificação, ao perceber rotura extensa da cápsula posterior, com vítreo na câmara anterior, qual a sequência de eventos mais adequada que o cirurgião deverá adotar?

Alternativas

  1. A) Interromper a facoemulsificação e a irrigação, elevar a altura do frasco de BSS e retirar a caneta do olho para reavaliar a rotura
  2. B) Prosseguir com a facoemulsificação dos fragmentos maiores acima do plano da íris, injetar viscoelástico na câmara anterior pela incisão acessória, elevar o frasco de BSS e retirar a caneta do olho para reavaliar a rotura
  3. C) Interromper a facoemulsificação, injetar viscoelástico na câmara anterior pela incisão acessória e retirar a caneta para reavaliar a rotura
  4. D) Interromper a irrigação, retirar a caneta do olho, introduzir uma ou duas agulhas de insulina via pars plana, injetar viscoelático na câmara e prosseguir com a facoemulsificação

Pérola Clínica

Rotura capsular → Parar faco + Injetar viscoelástico antes de retirar a caneta para evitar prolapso vítreo.

Resumo-Chave

A manutenção da pressão na câmara anterior com viscoelástico impede o gradiente de pressão que atrai o vítreo para frente ao remover o instrumental.

Contexto Educacional

A rotura de cápsula posterior (RCP) é uma das complicações intraoperatórias mais comuns na cirurgia de catarata. O manejo adequado exige calma e técnica precisa para evitar a perda vítrea ou o deslocamento de fragmentos para o segmento posterior. A primeira regra de ouro é 'não retirar o instrumento do olho' até que a câmara esteja estabilizada com viscoelástico. Após a estabilização, o cirurgião deve avaliar a necessidade de vitreoctomia anterior (preferencialmente via pars plana ou bimanual limbar) para limpar o eixo visual e garantir que não haja tração vítrea nas incisões, o que poderia levar a edema macular cistoide ou descolamento de retina no pós-operatório.

Perguntas Frequentes

Por que injetar viscoelástico antes de retirar a caneta de faco?

Ao retirar a caneta de facoemulsificação sem preencher a câmara anterior com viscoelástico, ocorre uma queda súbita da pressão intraocular. Esse gradiente de pressão favorece a migração do corpo vítreo da câmara posterior para a câmara anterior através da rotura capsular, complicando o manejo cirúrgico e aumentando o risco de tração retiniana.

Qual o tipo de viscoelástico ideal nessa situação?

Geralmente utilizam-se viscoelásticos dispersivos para tamponar a rotura e afastar o vítreo, ou viscoelásticos coesivos para manter o espaço da câmara anterior. A escolha depende da extensão da rotura e da presença de fragmentos cristalinianos residuais que ainda precisam ser manejados.

Quais os sinais de rotura de cápsula posterior durante a cirurgia?

Os sinais incluem o aprofundamento súbito da câmara anterior, a inclinação do núcleo do cristalino, a perda do reflexo vermelho em uma área específica e a incapacidade de aspirar fragmentos que parecem 'fugir' da ponta da caneta de faco.

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