CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Durante a remoção do primeiro fragmento de núcleo em facoemulsificação de rotina, o cirurgião observa rotura de cápsula posterior. Qual a conduta inicial?
Rotura de cápsula posterior → Injetar viscoelástico ANTES de retirar a caneta de faco.
A manutenção da pressão na câmara anterior com viscoelástico impede o colapso ocular e a migração de fragmentos nucleares para a cavidade vítrea.
A rotura de cápsula posterior (RCP) é uma das complicações intraoperatórias mais temidas na facoemulsificação, ocorrendo em cerca de 0,5% a 3% dos casos, dependendo da experiência do cirurgião e da complexidade da catarata. O reconhecimento precoce é fundamental; sinais como o aprofundamento súbito da câmara anterior ou a inclinação do núcleo devem alertar o cirurgião. A estratégia 'Closed Chamber' (Câmara Fechada) é a base do manejo moderno. Manter a infusão enquanto se preenche o olho com viscoelástico protege o endotélio e evita a tração vitreorretiniana. O sucesso no manejo da RCP define se o paciente poderá receber uma lente intraocular no sulco ou se necessitará de técnicas de fixação mais complexas no futuro.
Ao perceber a rotura da cápsula posterior, a caneta de facoemulsificação deve ser mantida no olho em 'foot position 1' (apenas irrigação). Se o cirurgião remover a caneta abruptamente, a pressão intraocular cai instantaneamente, causando o colapso da câmara anterior. Esse gradiente de pressão favorece o prolapso do humor vítreo para a câmara anterior e, pior, pode empurrar os fragmentos de núcleo restantes para dentro da cavidade vítrea, transformando uma complicação manejável em uma necessidade de vitrectomia posterior via pars plana.
O uso de viscoelástico, preferencialmente dispersivo, é a manobra inicial crítica. Ele deve ser injetado através da incisão lateral (paracentese) antes da remoção da caneta de faco. O objetivo é duplo: preencher o espaço e manter a pressão da câmara anterior para evitar o colapso, e criar uma barreira física (tamponamento) sobre a área da rotura, impedindo que o vítreo suba e que os fragmentos nucleares desçam. Só após a estabilização com viscoelástico é que a caneta de faco deve ser retirada com segurança.
Após a estabilização inicial, o cirurgião deve avaliar a extensão da rotura e a quantidade de material nuclear/cortical remanescente. Se houver vítreo na câmara anterior, uma vitrectomia anterior automatizada deve ser realizada, preferencialmente com técnica bimanual e parâmetros de baixo fluxo. O objetivo é limpar o vítreo das incisões e da câmara anterior sem tracionar a retina. Fragmentos de núcleo podem ser removidos com manobras manuais ou facoemulsificação lenta, dependendo da estabilidade do suporte capsular restante.
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