HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Criança do sexo feminino de 7 meses de idade é trazida à unidade de emergência por sua mãe, com queixa de mancha vermelha na pele nas últimas 8 horas. A genitora relata que a paciente iniciou com quadro de febre alta (T = 39,5ºC) nos últimos três dias. Nas últimas 8 horas, apresentou resolução da febre, associada a surgimento de mancha vermelha em tronco, que progressivamente evoluiu com acometimento de face e membros. Ao exame físico, apresentou hiperemia de orofaringe e manchas de pele, que podem ser vistas nas imagens a seguir:Qual é o diagnóstico?
Febre alta que desaparece subitamente + surgimento de exantema rosado → Roséola (Exantema Súbito).
A roséola é marcada pela defervescência em crise (queda brusca da febre) imediatamente seguida pelo aparecimento de um exantema que inicia no tronco e progride centrifugamente.
A roséola infantum é uma das doenças exantemáticas mais comuns da primeira infância. A fisiopatologia envolve a replicação viral sistêmica após a inoculação nas vias aéreas superiores, levando a uma viremia que se manifesta clinicamente como febre alta persistente. A resposta imune do hospedeiro, ao controlar a viremia, resulta na formação de imunocomplexos ou resposta celular que se manifesta como o exantema cutâneo clássico. Clinicamente, o diagnóstico é retrospectivo e baseado na história clínica típica. O hemograma pode revelar leucopenia com linfocitose relativa após a fase febril. É fundamental tranquilizar a família sobre a natureza benigna e autolimitada da condição, focando o tratamento no suporte sintomático e hidratação.
O principal agente etiológico da roséola infantum, também conhecida como exantema súbito, é o Vírus Herpes Humano tipo 6 (HHV-6), embora o tipo 7 (HHV-7) também possa causar a doença. Estes vírus pertencem à subfamília Betaherpesvirinae e estabelecem latência em células mononucleares após a infecção primária. A transmissão ocorre geralmente através de secreções respiratórias de portadores assintomáticos ou indivíduos na fase aguda, sendo mais comum em lactentes entre 6 e 15 meses de idade.
A característica patognomônica da roséola é a cronologia: uma febre alta isolada (frequentemente >39,5°C) que dura de 3 a 5 dias e desaparece subitamente (defervescência em crise), coincidindo exatamente com o surgimento do exantema maculopapular rosado. Diferente do sarampo ou rubéola, o estado geral da criança costuma ser bom durante a fase do exantema, e não há o pródromo catarral intenso ou conjuntivite observados em outras viroses exantemáticas clássicas.
A complicação mais frequente da roséola infantum é a crise febril, ocorrendo em cerca de 10% a 15% dos casos devido à rápida ascensão da temperatura corporal na fase inicial. Embora assustadora para os cuidadores, a crise febril simples associada à roséola costuma ter um prognóstico excelente e não deixa sequelas neurológicas. Outras complicações raras incluem encefalite, hepatite ou pneumonia, que são observadas quase exclusivamente em pacientes imunocomprometidos.
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