CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Com relação à rosácea ocular, é correto afirmar:
Rosácea ocular: Mulheres > Homens (frequência), mas Homens > Mulheres (gravidade clínica).
A rosácea ocular é frequentemente subdiagnosticada e associada à rosácea cutânea. Embora mais prevalente em mulheres, as complicações corneanas e a gravidade são maiores no sexo masculino.
A rosácea ocular é uma condição inflamatória crônica que afeta a superfície ocular e os anexos. Sua fisiopatologia envolve desregulação do sistema imune inato, microrganismos como o Demodex folliculorum e instabilidade do filme lacrimal. O manejo clínico foca na higiene palpebral, uso de lubrificantes e, em casos moderados a graves, antibioticoterapia sistêmica com tetraciclinas (como a doxiciclina) em doses subantimicrobianas por seu efeito anti-inflamatório e inibidor de metaloproteinases.
A rosácea ocular ocorre em até 50-75% dos pacientes com rosácea cutânea, mas a gravidade da doença ocular não se correlaciona necessariamente com a gravidade das lesões cutâneas. Em alguns casos, os sintomas oculares podem preceder as manifestações dermatológicas em até 20% dos pacientes, dificultando o diagnóstico inicial. O quadro clínico ocular envolve tipicamente blefarite posterior, telangiectasias na margem palpebral e disfunção das glândulas de Meibomius, levando a um quadro de olho seco evaporativo crônico.
Embora a incidência epidemiológica da rosácea seja maior em mulheres, estudos clínicos e observações práticas demonstram que pacientes do sexo masculino tendem a apresentar quadros inflamatórios mais exuberantes e complicações corneanas mais severas, como ceratite periférica, afinamento estromal e vascularização (panus). A razão exata para essa disparidade não é totalmente compreendida, mas pode envolver fatores hormonais, exposição ambiental e, frequentemente, um atraso na procura por assistência médica especializada.
O diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente e no exame em lâmpada de fenda. Os sinais cardinais incluem telangiectasias de margem palpebral, hiperemia conjuntival, disfunção de glândulas de Meibomius (com secreção espessa ou obstrução) e, em casos avançados, infiltrados corneanos marginais ou ceratite punctata. A biópsia conjuntival não é um procedimento de rotina e não apresenta achados patognomônicos como imunocomplexos subepiteliais, que são característicos de doenças cicatriciais como o penfigoide ocular.
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