ENARE/ENAMED — Prova 2025
O conhecimento sobre os anestésicos locais é de fundamental importância, dado que eles são usados constantemente em pequenas cirurgias e procedimentos que necessitam de anestesia. Nesse contexto, é correto afirmar que:
Ropivacaína = Menor cardiotoxicidade que Bupivacaína + Bloqueio sensitivo-motor dissociado.
A ropivacaína é um isômero S(-) puro que apresenta menor afinidade pelos canais de sódio cardíacos e maior segurança cardiovascular em relação à bupivacaína, sendo ideal para bloqueios de longa duração.
O domínio da farmacologia dos anestésicos locais é essencial para a segurança em anestesia regional e pequenas cirurgias. Os anestésicos do tipo amida (lidocaína, bupivacaína, ropivacaína) são os mais utilizados. A escolha do agente depende do tempo cirúrgico e do perfil de segurança. A ropivacaína surgiu como uma evolução da bupivacaína para mitigar os riscos de paradas cardíacas refratárias associadas à injeção intravascular acidental. Compreender as propriedades físico-químicas, como pKa (que determina o início de ação) e lipossolubilidade (que determina a potência), permite ao médico otimizar o bloqueio para cada cenário clínico.
A ropivacaína é um isômero levógiro (S-enantiômero) puro, enquanto a bupivacaína tradicional é uma mistura racêmica. Os isômeros S têm menor afinidade pelos canais de sódio no miocárdio e no sistema de condução cardíaco em comparação com os isômeros R. Isso resulta em uma dissociação mais rápida dos canais de sódio cardíacos caso ocorra uma injeção intravascular acidental, reduzindo o risco de arritmias ventriculares graves e depressão miocárdica. Além disso, a ropivacaína possui uma menor lipossolubilidade, o que também contribui para sua menor toxicidade sistêmica tanto no sistema nervoso central quanto no coração.
O bloqueio diferencial refere-se à capacidade de um anestésico local em bloquear as fibras nervosas sensitivas (dor) de forma mais eficaz do que as fibras motoras. A ropivacaína é conhecida por apresentar um excelente bloqueio diferencial, especialmente em concentrações mais baixas. Isso é clinicamente vantajoso em situações como a analgesia de parto ou no controle da dor pós-operatória, onde se deseja que o paciente mantenha certa capacidade motora e de deambulação enquanto permanece sem dor. Em concentrações mais altas, esse diferencial diminui, permitindo seu uso também para bloqueios cirúrgicos que exigem relaxamento muscular.
A prilocaína é metabolizada em orto-toluidina, um composto capaz de oxidar a hemoglobina em metemoglobina. Portanto, ela é contraindicada ou deve ser usada com extrema cautela em pacientes com risco de metemoglobinemia, como aqueles com deficiência de G6PD, ou em pacientes que já possuem comprometimento da oxigenação (doença pulmonar grave, anemia severa). Embora não seja estritamente contraindicada em doenças hepáticas leves, como todas as amidas, seu metabolismo é hepático, mas o risco de toxicidade sistêmica (LAST) é geralmente menor que o da bupivacaína devido ao seu grande volume de distribuição.
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