RIVA no IAM: Identificação e Conduta Clínica

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

O ritmo idioventricular acelerado pode ocorrer no infarto agudo do miocárdio (IAM) tratado com fibrinólise. A conduta mais adequada nestes casos é:

Alternativas

  1. A) Amiodarona e manter a fibrinólise.
  2. B) Não tratar o ritmo observado e manter a fibrinólise.
  3. C) Interromper a fibrinólise e cardioversão elétrica imediata.
  4. D) Interromper a fibrinólise e não tratar o ritmo observado.

Pérola Clínica

RIVA pós-fibrinólise = sinal de reperfusão bem-sucedida → conduta expectante (não tratar).

Resumo-Chave

O RIVA é uma arritmia benigna e autolimitada que indica a restauração do fluxo coronariano. Não requer antiarrítmicos ou interrupção da terapia.

Contexto Educacional

O manejo do IAM com supra de ST exige monitorização contínua para avaliar a eficácia da reperfusão. O RIVA é a arritmia de reperfusão mais característica e benigna. Diferenciar o RIVA da Taquicardia Ventricular (TV) é essencial: a TV geralmente apresenta frequências > 120 bpm e instabilidade clínica, enquanto o RIVA é 'lento' e bem tolerado. O reconhecimento precoce evita intervenções desnecessárias e iatrogênicas em um paciente que está apresentando uma resposta terapêutica favorável.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o Ritmo Idioventricular Acelerado (RIVA)?

O RIVA é um ritmo ventricular com complexos QRS largos, frequência cardíaca geralmente entre 60 e 110 batimentos por minuto (mais rápido que o ritmo de escape ventricular normal, mas mais lento que uma taquicardia ventricular clássica) e ausência de ondas P precedendo o QRS. É frequentemente observado nas primeiras horas após a reperfusão de um infarto agudo do miocárdio, seja por angioplastia ou fibrinólise.

Por que o RIVA é considerado um sinal de reperfusão?

Acredita-se que o RIVA ocorra devido ao aumento do automatismo das células de Purkinje ou do miocárdio ventricular em resposta ao estresse oxidativo e às alterações eletrolíticas que acompanham o retorno do fluxo sanguíneo (lesão de reperfusão). No contexto clínico do IAM com supra de ST tratado com fibrinolítico, o surgimento do RIVA, junto com a redução do supra e o alívio da dor, confirma o sucesso da terapia.

Qual a conduta diante de um paciente com RIVA estável?

A conduta é puramente expectante: não tratar o ritmo e manter a terapia de reperfusão (fibrinólise). O RIVA é hemodinamicamente estável e autolimitado na grande maioria dos casos. O uso de antiarrítmicos é contraindicado, pois o RIVA pode estar atuando como um ritmo de substituição; suprimi-lo pode resultar em bradicardia grave ou assistolia se o nó sinusal ainda estiver deprimido.

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