SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022
Adolescente, 15 anos de idade, sexo masculino, vem à UBS trazido pela mãe, que informa modificações no comportamento do menor, apresentando-se agressivo em casa, e batendo nos irmãos menores. Trata-se do primeiro filho de uma prole de quatro, sendo o único do primeiro casamento, com 4 anos de diferença para o segundo irmão. Segundo a mãe, o menor mantinha um bom relacionamento em família mas, após ter sido surpreendido, há 3 meses, usando maconha em casa, foi repreendido e teve a mesada suspensa. Não tem contato com o pai. A agressividade se agravou ainda mais, após o término do relacionamento com a namorada, de 17 anos, há duas semanas. Desde então, passa grande parte do tempo trancado no quarto; não senta à mesa para as refeições e muitas vezes não se alimenta. Tem boa escolaridade e é considerado acima da média, mas faltou, pelo menos, dois dias à escola nas últimas semanas. Hoje, após uma briga, o adolescente mencionou que "preferia estar morto do que viver desse jeito”. Identifique o número de fatores epidemiológicos de risco de morte por suicídio nos dados apresentados no caso:
Risco suicida = Sexo (M) + Adolescência + Isolamento + Perda recente + Ideação expressa.
A avaliação do risco de suicídio no adolescente deve ser multidimensional, considerando fatores demográficos, psicossociais, eventos estressores agudos e mudanças comportamentais súbitas.
O suicídio é uma das principais causas de morte entre adolescentes mundialmente. A identificação precoce de fatores de risco é vital na atenção primária e emergências. Os fatores podem ser divididos em predisponentes (histórico familiar, transtornos mentais, abuso de substâncias), contribuintes (isolamento social, conflitos familiares) e precipitantes (término de namoro, bullying, crises financeiras). No caso clínico, a combinação de sexo masculino, mudanças de comportamento (agressividade e isolamento), uso de drogas, perda afetiva recente e a verbalização direta de desesperança configura um quadro de alto risco que exige intervenção imediata e encaminhamento especializado.
O sexo masculino está associado a uma maior taxa de suicídio completado (devido ao uso de métodos mais letais), enquanto o sexo feminino apresenta mais tentativas. A adolescência e a idade avançada são faixas etárias de maior vulnerabilidade epidemiológica.
Eventos de perda recente, como o término de relacionamentos afetivos, luto ou separação dos pais, atuam como gatilhos agudos em indivíduos já vulneráveis. No adolescente, a impulsividade característica da idade potencializa o risco após esses eventos.
Sim, o uso de álcool e drogas (como a maconha citada) aumenta significativamente o risco por dois mecanismos: agrava transtornos de humor subjacentes e reduz o limiar de inibição, facilitando a passagem ao ato impulsivo.
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